Arquivo para a Categoria ‘Drama’

Corra! | Crítica | Get Out, 2017, EUA

Corra! é um interessante filme que critica uma sociedade que ainda vê os negros como material de trabalho forçado.

Corra! (Get Out) 2017

Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Lil Rel Howery, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Stephen Root, Catherine Keener | Roteiro e direção: Jordan Peele | Duração: 103 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaConsiderando a situação e tensão que alguns casos de racismos que chamaram a atenção da mídia recentemente nos EUA, Corra! pode até ser considerado óbvio. Mas não se engane por isso, porque a necessidade de se fazer um filme com um obviedade dessas é que faz a situação ser preocupante – isso no mínimo – e até assustadora. Misturando elementos de suspense, comédia dark e até um pouco de ficção científica, Peele apresenta um retrato pessoal e intimista sobre como é ser negro hoje na nação mais poderosa do mundo. A história na tela faz isso de maneira direta e com pouca margem para interpretações, na esperança que dessa maneira a mensagem seja compreendida pela audiência.

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Paterson | Crítica | Paterson, 2016, EUA-Alemanha-França

Jim Jarmusch mostra em Paterson que até as coisas mais banais podem servir de inspiração para criar belezas.

Paterson (2016)

Elenco: Adam Driver, Golshifteh Farahani, Barry Shabaka Henley, Cliff Smith, Chasten Harmon, William Jackson Harper, Masatoshi Nagase | Roteiro e direção: Jim Jarmusch (Amantes Eternos) | Duração: 118 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaEm meio a explosões, monstros gigantes e semideuses se estapeando na tela, vale a pena nos desligarmos desse cinema de grandes proporções e ver algo intimista como Paterson. O que Jarmusch faz, por meio de seu protagonista, é mostrar que pode existir beleza até no caminho que fazemos todos os dias, traduzido aqui pela poesia. O desafio é encontrar essas belezas e entende-las, mesmo que no começo exista alguma estranheza em escrever, por exemplo, sobre uma caixa de fósforos. Para gente que escreve essa é uma produção de representação, um filme baseado na força dos diálogos e na construção dos personagens diários e ainda assim interessantes.

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Paixão Obsessiva | Crítica | Unforgettable, 2017, EUA

Paixão Obsessiva é um conjunto de obviedades que piora ao notarmos que existia um caminho bem mais interessante para a trama.

Paixão Obsessiva (Unforgettable), 2017

Elenco: Katherine Heigl, Rosario Dawson, Geoff Stults, Isabella Rice, Cheryl Ladd | Roteiro: Christina Hodson, David Leslie Johnson | Direção: Denise Di Novi | Duração: 100 minutos

Paixão Obsessiva se confunde na falta de compromisso, preferindo contar uma história com desenvolvimento e fechamento clichês, sendo que havia muito espaço para ousar. Ainda que toque em temas importantes e ainda em voga para dar voz às minorias – no caso, se levantando contra o machismo e o racismo – o desenvolvimento da história em si é tão comum que não exige do espectador nenhum tipo de questionamento da índole das personagens, mas é possível ver de longe outros resultados mais interessantes para trama, já que todos os elementos para isso estão ali, de bandeja para serem usadas pela diretora que faz um bom trabalho na cadeira. Mas não é uma qualidade refletida no roteiro.

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Fragmentado | Crítica | Split, 2017, EUA

Fragmentado mistura gêneros assim como seu protagonista mistura personagens, isso sem perder em nenhum momento a tensão, além do ser a ressurreição de M. Night Shyamalan.

Fragmentado (2017)

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula | Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan (A Visita) | Duração: 117 minutos | Cena Extra

Quando um filme é tão tenso que você não consegue tirar os olhos da tela é ao mesmo tempo tão cheio de camadas, você deve parar para analisar além da superfície. Fragmentado não é só o retorno de M. Night Shyamalan ao posto de bom diretor; é também uma experiência que precisa ser compartilhada. Com poucos momentos para nos escondermos, e o diretor nos permite isso apenas nos flashbacks de uma personagem, a produção não se perde ao misturar gêneros – melhor seria dizer que eles emergem, assim como as múltiplas personalidades do protagonista. Mais uma vez sabendo como carregar a narrativa, o diretor nos leva para caminhos sombrios e desesperadores e consegue que sejamos partícipes de cada momento de horror e do desconhecido.

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T2 Trainspotting | Crítica | T2 Trainspotting, 2017, Reino Unido

T2 Trainspotting é como visitar velhos amigos quando se tem pouco a compartilhar, valendo mais pela presença deles do que outra coisa.

T2 Trainspotting (2017)

Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Kelly Macdonald, Anjela Nedyalkova | Roteiro: John Hodge | Baseado em: Trainspotting e Porno (Irvine Welsh) | Direção: Danny Boyle (127 Horas) | Duração: 117 minutos

É normal sentirmos saudades de alguém ou de uma fase da nossa vida e o que Danny Boyle fez em T2 Trainspotting é revisitar seus velhos amigos. Se no campo das emoções isso funciona, no cinematográfico nem tanto. A nostalgia simples e pura não é suficiente para criar uma história envolvente ou relevante e a direção misturando várias estéticas, mas sem foco, mostra um Boyle perdido e que não parece saber o que está fazendo. É interessante ver como os personagens evoluíram (ou não) depois de duas décadas, e é um exercício mais interessante para o diretor, mas que não se reflete tão bem na narrativa.

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Silêncio | Crítica | Silence, 2016, EUA-Japão

Silêncio é uma reflexão da ligação do humano com o divino e um dos melhores filmes de Martin Scorsese.

Silêncio (Silence, 2016)

Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Ciarán Hinds, Liam Neeson, Tadanobu Asano, Issey Ogata, Yōsuke Kubozuka | Roteiro: Jay Cocks, Martin Scorsese | Baseado em: Silêncio (Shūsaku Endō) | Direção: Martin Scorsese (Taxi Driver) | Duração: 161 minutos

A obsessão de Martin Scorsese com a religião não é novidade: desde a culpa católica até a sua versão do Cristo, considerada profana por muitos, e visitando até a figura do Dalai Lama. E em Silêncio o diretor faz uma reflexão do humano em relação com o divino, da dureza do Criador, cheia de caminhos tortuosos e dolorosos. A virtude dos personagens é testada longamente, refletindo a extensão pouco usual de um filme de padrões comerciais. E assim como os protagonistas, é no silêncio que devemos refletir se existe alguma resposta, uma experiência que funciona tanto para aqueles que acreditam em alguma força divina quantos os que não.

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Um Limite Entre Nós | Crítica | Fences, 2016, EUA

Um Limite Entre Nós funciona pela mensagem, mas se perde na transição dos palcos ao cinema.

Um Limite Entre Nós (Fences), 2016

Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adepo, Russell Hornsby, Mykelti Williamson, Saniyya Sidney | Roteiro: August Wilson | Baseado em: Um Limite Entre Nós (August Wilson) | Direção: Denzel Washington (O Grande Debate) | Duração: 139 minutos

Mesmo que o diretor Denzel Washington não tenha conseguido separar-se da origem teatral, Um Limite Entre Nós é uma forte narrativa que envolve questões raciais, pragmatismo, sexismo e responsabilidade na visão de alguém que foi criado de maneira rígida e que na sua ignorância imposta por uma sociedade segregacionista não o permitiu que fosse só um pouco além.  Faltou sim tato ao diretor ao fazer mais cinema, o que o deixou seus dirigidos um tanto caricatos nos gestos e na maneira que se expressam – ainda que esse mesmo elenco seja tão forte quanto a mensagem expressa nas páginas do roteiro.

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A Lei da Noite | Crítica | Live by Night, 2016, EUA

A Lei da Noite é uma homenagem aos clássicos filmes de gangsteres, mas que pouco adiciona ao gênero.

Lei da Noite-FB

Elenco: Ben Affleck, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper | Roteiro: Ben Affleck | Baseado em: Live by Night (Dennis Lehane) | Direção: Ben Affleck (Argo) | Duração: 129 minutos

Chegando um pouco antes da metade da projeção de A Lei da Noite, uma pergunta acaba aparecendo: por que vale a pena contar essa história? Isso não quer dizer que o roteiro é ruim ou a direção de Ben Affleck seja fraca. O que acontece é que a história costura temas já vistos em outras produções, tornando o filme uma homenagem ao gênero de gangsteres com pouco de novo a dizer. Com atuações excelentes e uma direção de artes fenomenal, o filme nos perde pela frágil motivação inicial do protagonista e uma tendência controladora com Affleck sendo o mandachuva de tudo – dentro e fora do filme.

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Logan | Crítica | Logan, 2017, EUA

Mais que um filme de ação, Logan é o fruto do amadurecimento do gênero de super-heróis dos quadrinhos.

Logan (2017)

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Dafne Keen | Argumento: James Mangold | Roteiro: Scott Frank, James Mangold, Michael Green | Basedo em: Wolverine (Roy Thomas, Len Wein, John Romita, Sr.) | Direção: James Mangold (Wolverine: Imortal) | Duração: 135 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaLogan não é como sua fonte original, Velho Logan (Old Man Logan): é uma construção de um personagem que cresceu e amadureceu ao longo de dezessete anos. É um filme cheio de ação, dor e tristeza, mas também com uma sensação de satisfação, algo que está no cerne de um ator cuja história se mescla com o personagem. Se por um lado existem obras inspiradas em quadrinhos que vivem pela diversão – o que não é certo ou errado – a última aparição de Wolverine com essa cara que estamos acostumados é a chegada à vida adulta do gênero que o próprio protagonista ajudou a revitalizar em 2000.

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Moonlight: Sob a Luz do Luar | Crítica | Moonlight, 2016, EUA

Moonlight: Sob a Luz do Luar é tão impactante quanto socos de verdade.

Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

Elenco: Trevante Rhodes, André Holland, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Naomie Harris, Mahershala Ali | Baseado em: In Moonlight Black Boys Look Blue (Tarell Alvin McCraney) | Roteiro e direção: Barry Jenkins | Duração: 111 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaApesar da pouca violência gráfica Moonlight: Sob a Luz do Luar é um daqueles filmes que saímos o impacto das pancadas. É um retrato por meio de filme de um ciclo de violência que acomete os isolados da sociedade. Focando na questão da representatividade negra e homossexual, o diretor Barry Jenkins nos conta por momentos distintos de um jovem descobrindo a si mesmo a análise de um cenário para entendermos melhor o peso da criação quando se trata das escolhas que tomamos na vida – ou achamos que tomamos – em um ambiente quase atemporal, numa viagem melancólica, bela e triste como os tons da fotografia.

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Um Homem Chamado Ove | Crítica | En man som heter Ove, 2015, Suécia

Um Homem Chamado Ove ganha pela simpatia dos personagens, mas sobram poucas diferenças do que já vimos em outras comédias dramáticas.

Um Homem Chamado Ove (2015)

Elenco: Rolf Lassgård, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll | Roteiro: Hannes Holm | Baseado em: Um Homem Chamado Ove (Fredrik Backman) | Direção: Hannes Holm | Duração: 118 minutos

Você já viu essa história antes: o idoso rabugento e chato que se incomoda com qualquer coisa. Assim é Um Homem Chamado Ove que realmente não trás nada de novo ao gênero da comédia dramática. Mas há risadas garantidas com a personalidade do protagonista, seu jeito de viver e suas lembranças. O diretor Hannes Holm sabe como manipular a plateia, o que não é algo ruim, deixando aquela linha para ser puxada na hora certa e assim emocionar os mais sensíveis. E se por quase duas horas um filme de comédia misturado com drama faz rir e chorar, a tarefa foi cumprida.

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Aliados | Crítica | Allied, 2016, EUA

Aliados consegue prender a atenção pela empatia criada com os protagonistas, apesar de tropeçar ao desenvolver personagens e o andamento da história.

Aliados (Allied, 2016)

Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Simon McBurney, Lizzy Caplan | Roteiro: Steven Knight | Direção: Robert Zemeckis (A Travessia) | Duração: 124 minutos

Há em Aliados ótimos momentos, principalmente para quem gosta de filmes de época. No entanto a produção falha em desenvolver personagens e o segundo ato. Mas graças ao esforço de Knight e a Zemeckis conseguimos criar uma empatia sincera com a dupla de protagonistas, algo potencializado pela atuação esplêndida de ambos. Mas esse querer fica relegado a outros momentos do roteiro que lapidam com menor atenção os outros elementos do filme, o que é uma pena quando consideramos o carinho que criamos pela dupla.

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