Arquivo para a Categoria ‘Drama’

De Canção em Canção | Crítica | Song to Song, 2017, EUA

De Canção em Canção traz novamente a assinatura visual tão conhecida de Malick que ainda leva o público para uma experiência muito intimista.

De Canção em Canção (Song To Song) Crítica

Elenco: Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara, Natalie Portman | Roteiro e direção: Terrence Malick (O Novo Mundo) | Duração: 129 minutes

Pode ser fácil dizer como um filme de Terrence Malick começa – nessa estética que vem desde de Árvore da Vida (Tree of Life, 2011)  -, mas tal facilidade é inversamente proporcional dizer como termina. De Canção em Canção é ao mesmo tempo o ápice da sua assinatura e visão cinematográfica como é o momento de colocar tudo que fez nos últimos seis anos em perspectiva. É verdade também que a maneira de criar do diretor/roteirista – que chega a sequer dar um roteiro para atores e atrizes – é um desafio para quem escolhe participar dessa aventura, usando ao máximo seu poder de interpretação e improvisação com apenas algumas dicas vindas do diretor. No entanto, falta para Malick um desafio próprio: o de saber se ele consegue contar uma história como antigamente, estruturada de maneira tradicional.

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Soundtrack | Crítica | Brasil, 2017

Soundtrack vai por um caminho por explorado do cinema: o da poesia filmada.

Soundtrack (2017) Crítica

Elenco: Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Lukas Loughran, Thomas Chaanhing, J.G.Franklin | Roteiro e direção: 300 ml | Duração: 112 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaExistem filmes que prezam pelo entretenimento – e não há nada de errado nisso – mas de vez em quando aparece um como Soundtrack, que te pega pela mão e te leva por um caminho diferente, querendo que você aprecie o passeio sem indicar atalhos para essa estrada. Num misto de arte e uma visão publicitária, pois os diretores atendem por uma alcunha típica da área (300 ml), essa produção brasileira se permite interagir com várias partes do mundo num cenário internacional, fazendo a produção passar os limites da regionalidade geográfica e se torna, verdadeiramente, um filme do mundo.

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O Círculo | Crítica | The Circle, 2017, EUA

O Círculo é o exemplo de uma boa ideia má executada por elementos que não se encaixam na própria história.

O Círculo (The Circle) 2017

Elenco: Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega, Karen Gillan, Ellar Coltrane, Patton Oswalt, Glenne Headly, Bill Paxton | Roteiro: James Ponsoldt, Dave Eggers | Baseado em: O Círculo (Dave Eggers) | Direção: James Ponsoldt (O Espetacular Agora) | Duração: 110 minutos

Há uma famosa foto que Mark Zuckerberg aparece cobrindo a câmera e o microfone de seu laptop com fita isolante. É uma história velha mas que logo exigirá uma resposta definitiva: você desistiria completamente da sua privacidade em nome da segurança? Nos moldes de ficções científicas, O Círculo é um exagero das redes sociais como conhecemos hoje, um lugar onde não apenas somos incentivados em compartilhar nossas vidas, mas que isso será obrigatório e você será taxado de monstro se não fizer isso. A produção discute também se existe saída desse labirinto que criamos, mas ao apresentar soluções fáceis demais acaba perdendo a audiência.

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Corra! | Crítica | Get Out, 2017, EUA

Corra! é um interessante filme que critica uma sociedade que ainda vê os negros como material de trabalho forçado.

Corra! (Get Out) 2017

Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Lil Rel Howery, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Stephen Root, Catherine Keener | Roteiro e direção: Jordan Peele | Duração: 103 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaConsiderando a situação e tensão que alguns casos de racismos que chamaram a atenção da mídia recentemente nos EUA, Corra! pode até ser considerado óbvio. Mas não se engane por isso, porque a necessidade de se fazer um filme com um obviedade dessas é que faz a situação ser preocupante – isso no mínimo – e até assustadora. Misturando elementos de suspense, comédia dark e até um pouco de ficção científica, Peele apresenta um retrato pessoal e intimista sobre como é ser negro hoje na nação mais poderosa do mundo. A história na tela faz isso de maneira direta e com pouca margem para interpretações, na esperança que dessa maneira a mensagem seja compreendida pela audiência.

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Paterson | Crítica | Paterson, 2016, EUA-Alemanha-França

Jim Jarmusch mostra em Paterson que até as coisas mais banais podem servir de inspiração para criar belezas.

Paterson (2016)

Elenco: Adam Driver, Golshifteh Farahani, Barry Shabaka Henley, Cliff Smith, Chasten Harmon, William Jackson Harper, Masatoshi Nagase | Roteiro e direção: Jim Jarmusch (Amantes Eternos) | Duração: 118 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaEm meio a explosões, monstros gigantes e semideuses se estapeando na tela, vale a pena nos desligarmos desse cinema de grandes proporções e ver algo intimista como Paterson. O que Jarmusch faz, por meio de seu protagonista, é mostrar que pode existir beleza até no caminho que fazemos todos os dias, traduzido aqui pela poesia. O desafio é encontrar essas belezas e entende-las, mesmo que no começo exista alguma estranheza em escrever, por exemplo, sobre uma caixa de fósforos. Para gente que escreve essa é uma produção de representação, um filme baseado na força dos diálogos e na construção dos personagens diários e ainda assim interessantes.

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Paixão Obsessiva | Crítica | Unforgettable, 2017, EUA

Paixão Obsessiva é um conjunto de obviedades que piora ao notarmos que existia um caminho bem mais interessante para a trama.

Paixão Obsessiva (Unforgettable), 2017

Elenco: Katherine Heigl, Rosario Dawson, Geoff Stults, Isabella Rice, Cheryl Ladd | Roteiro: Christina Hodson, David Leslie Johnson | Direção: Denise Di Novi | Duração: 100 minutos

Paixão Obsessiva se confunde na falta de compromisso, preferindo contar uma história com desenvolvimento e fechamento clichês, sendo que havia muito espaço para ousar. Ainda que toque em temas importantes e ainda em voga para dar voz às minorias – no caso, se levantando contra o machismo e o racismo – o desenvolvimento da história em si é tão comum que não exige do espectador nenhum tipo de questionamento da índole das personagens, mas é possível ver de longe outros resultados mais interessantes para trama, já que todos os elementos para isso estão ali, de bandeja para serem usadas pela diretora que faz um bom trabalho na cadeira. Mas não é uma qualidade refletida no roteiro.

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Fragmentado | Crítica | Split, 2017, EUA

Fragmentado mistura gêneros assim como seu protagonista mistura personagens, isso sem perder em nenhum momento a tensão, além do ser a ressurreição de M. Night Shyamalan.

Fragmentado (2017)

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula | Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan (A Visita) | Duração: 117 minutos | Cena Extra

Quando um filme é tão tenso que você não consegue tirar os olhos da tela é ao mesmo tempo tão cheio de camadas, você deve parar para analisar além da superfície. Fragmentado não é só o retorno de M. Night Shyamalan ao posto de bom diretor; é também uma experiência que precisa ser compartilhada. Com poucos momentos para nos escondermos, e o diretor nos permite isso apenas nos flashbacks de uma personagem, a produção não se perde ao misturar gêneros – melhor seria dizer que eles emergem, assim como as múltiplas personalidades do protagonista. Mais uma vez sabendo como carregar a narrativa, o diretor nos leva para caminhos sombrios e desesperadores e consegue que sejamos partícipes de cada momento de horror e do desconhecido.

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T2 Trainspotting | Crítica | T2 Trainspotting, 2017, Reino Unido

T2 Trainspotting é como visitar velhos amigos quando se tem pouco a compartilhar, valendo mais pela presença deles do que outra coisa.

T2 Trainspotting (2017)

Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Kelly Macdonald, Anjela Nedyalkova | Roteiro: John Hodge | Baseado em: Trainspotting e Porno (Irvine Welsh) | Direção: Danny Boyle (127 Horas) | Duração: 117 minutos

É normal sentirmos saudades de alguém ou de uma fase da nossa vida e o que Danny Boyle fez em T2 Trainspotting é revisitar seus velhos amigos. Se no campo das emoções isso funciona, no cinematográfico nem tanto. A nostalgia simples e pura não é suficiente para criar uma história envolvente ou relevante e a direção misturando várias estéticas, mas sem foco, mostra um Boyle perdido e que não parece saber o que está fazendo. É interessante ver como os personagens evoluíram (ou não) depois de duas décadas, e é um exercício mais interessante para o diretor, mas que não se reflete tão bem na narrativa.

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Silêncio | Crítica | Silence, 2016, EUA-Japão

Silêncio é uma reflexão da ligação do humano com o divino e um dos melhores filmes de Martin Scorsese.

Silêncio (Silence, 2016)

Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Ciarán Hinds, Liam Neeson, Tadanobu Asano, Issey Ogata, Yōsuke Kubozuka | Roteiro: Jay Cocks, Martin Scorsese | Baseado em: Silêncio (Shūsaku Endō) | Direção: Martin Scorsese (Taxi Driver) | Duração: 161 minutos

A obsessão de Martin Scorsese com a religião não é novidade: desde a culpa católica até a sua versão do Cristo, considerada profana por muitos, e visitando até a figura do Dalai Lama. E em Silêncio o diretor faz uma reflexão do humano em relação com o divino, da dureza do Criador, cheia de caminhos tortuosos e dolorosos. A virtude dos personagens é testada longamente, refletindo a extensão pouco usual de um filme de padrões comerciais. E assim como os protagonistas, é no silêncio que devemos refletir se existe alguma resposta, uma experiência que funciona tanto para aqueles que acreditam em alguma força divina quantos os que não.

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Um Limite Entre Nós | Crítica | Fences, 2016, EUA

Um Limite Entre Nós funciona pela mensagem, mas se perde na transição dos palcos ao cinema.

Um Limite Entre Nós (Fences), 2016

Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adepo, Russell Hornsby, Mykelti Williamson, Saniyya Sidney | Roteiro: August Wilson | Baseado em: Um Limite Entre Nós (August Wilson) | Direção: Denzel Washington (O Grande Debate) | Duração: 139 minutos

Mesmo que o diretor Denzel Washington não tenha conseguido separar-se da origem teatral, Um Limite Entre Nós é uma forte narrativa que envolve questões raciais, pragmatismo, sexismo e responsabilidade na visão de alguém que foi criado de maneira rígida e que na sua ignorância imposta por uma sociedade segregacionista não o permitiu que fosse só um pouco além.  Faltou sim tato ao diretor ao fazer mais cinema, o que o deixou seus dirigidos um tanto caricatos nos gestos e na maneira que se expressam – ainda que esse mesmo elenco seja tão forte quanto a mensagem expressa nas páginas do roteiro.

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A Lei da Noite | Crítica | Live by Night, 2016, EUA

A Lei da Noite é uma homenagem aos clássicos filmes de gangsteres, mas que pouco adiciona ao gênero.

Lei da Noite-FB

Elenco: Ben Affleck, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper | Roteiro: Ben Affleck | Baseado em: Live by Night (Dennis Lehane) | Direção: Ben Affleck (Argo) | Duração: 129 minutos

Chegando um pouco antes da metade da projeção de A Lei da Noite, uma pergunta acaba aparecendo: por que vale a pena contar essa história? Isso não quer dizer que o roteiro é ruim ou a direção de Ben Affleck seja fraca. O que acontece é que a história costura temas já vistos em outras produções, tornando o filme uma homenagem ao gênero de gangsteres com pouco de novo a dizer. Com atuações excelentes e uma direção de artes fenomenal, o filme nos perde pela frágil motivação inicial do protagonista e uma tendência controladora com Affleck sendo o mandachuva de tudo – dentro e fora do filme.

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Logan | Crítica | Logan, 2017, EUA

Mais que um filme de ação, Logan é o fruto do amadurecimento do gênero de super-heróis dos quadrinhos.

Logan (2017)

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Dafne Keen | Argumento: James Mangold | Roteiro: Scott Frank, James Mangold, Michael Green | Basedo em: Wolverine (Roy Thomas, Len Wein, John Romita, Sr.) | Direção: James Mangold (Wolverine: Imortal) | Duração: 135 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaLogan não é como sua fonte original, Velho Logan (Old Man Logan): é uma construção de um personagem que cresceu e amadureceu ao longo de dezessete anos. É um filme cheio de ação, dor e tristeza, mas também com uma sensação de satisfação, algo que está no cerne de um ator cuja história se mescla com o personagem. Se por um lado existem obras inspiradas em quadrinhos que vivem pela diversão – o que não é certo ou errado – a última aparição de Wolverine com essa cara que estamos acostumados é a chegada à vida adulta do gênero que o próprio protagonista ajudou a revitalizar em 2000.

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