Arquivo para a Categoria ‘Drama’

Fragmentado | Crítica | Split, 2017, EUA

Fragmentado mistura gêneros assim como seu protagonista mistura personagens, isso sem perder em nenhum momento a tensão, além do ser a ressurreição de M. Night Shyamalan.

Fragmentado (2017)

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula | Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan | Duração: 117 minutos | Cena Extra

Quando um filme é tão tenso que você não consegue tirar os olhos da tela é ao mesmo tempo tão cheio de camadas, você deve parar para analisar além da superfície. Fragmentado não é só o retorno de M. Night Shyamalan ao posto de bom diretor; é também uma experiência que precisa ser compartilhada. Com poucos momentos para nos escondermos, e o diretor nos permite isso apenas nos flashbacks de uma personagem, a produção não se perde ao misturar gêneros – melhor seria dizer que eles emergem, assim como as múltiplas personalidades do protagonista. Mais uma vez sabendo como carregar a narrativa, o diretor nos leva para caminhos sombrios e desesperadores e consegue que sejamos partícipes de cada momento de horror e do desconhecido.

Leia mais

T2 Trainspotting | Crítica | T2 Trainspotting, 2017, Reino Unido

T2 Trainspotting é como visitar velhos amigos quando se tem pouco a compartilhar, valendo mais pela presença deles do que outra coisa.

T2 Trainspotting (2017)

Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Kelly Macdonald, Anjela Nedyalkova | Roteiro: John Hodge | Baseado em: Trainspotting e Porno (Irvine Welsh) | Direção: Danny Boyle (127 Horas) | Duração: 117 minutos

É normal sentirmos saudades de alguém ou de uma fase da nossa vida e o que Danny Boyle fez em T2 Trainspotting é revisitar seus velhos amigos. Se no campo das emoções isso funciona, no cinematográfico nem tanto. A nostalgia simples e pura não é suficiente para criar uma história envolvente ou relevante e a direção misturando várias estéticas, mas sem foco, mostra um Boyle perdido e que não parece saber o que está fazendo. É interessante ver como os personagens evoluíram (ou não) depois de duas décadas, e é um exercício mais interessante para o diretor, mas que não se reflete tão bem na narrativa.

Leia mais

Silêncio | Crítica | Silence, 2016, EUA-Japão

Silêncio é uma reflexão da ligação do humano com o divino e um dos melhores filmes de Martin Scorsese.

Silêncio (Silence, 2016)

Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Ciarán Hinds, Liam Neeson, Tadanobu Asano, Issey Ogata, Yōsuke Kubozuka | Roteiro: Jay Cocks, Martin Scorsese | Baseado em: Silêncio (Shūsaku Endō) | Direção: Martin Scorsese (Taxi Driver) | Duração: 161 minutos

A obsessão de Martin Scorsese com a religião não é novidade: desde a culpa católica até a sua versão do Cristo, considerada profana por muitos, e visitando até a figura do Dalai Lama. E em Silêncio o diretor faz uma reflexão do humano em relação com o divino, da dureza do Criador, cheia de caminhos tortuosos e dolorosos. A virtude dos personagens é testada longamente, refletindo a extensão pouco usual de um filme de padrões comerciais. E assim como os protagonistas, é no silêncio que devemos refletir se existe alguma resposta, uma experiência que funciona tanto para aqueles que acreditam em alguma força divina quantos os que não.

Leia mais

Um Limite Entre Nós | Crítica | Fences, 2016, EUA

Um Limite Entre Nós funciona pela mensagem, mas se perde na transição dos palcos ao cinema.

Um Limite Entre Nós (Fences), 2016

Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adepo, Russell Hornsby, Mykelti Williamson, Saniyya Sidney | Roteiro: August Wilson | Baseado em: Um Limite Entre Nós (August Wilson) | Direção: Denzel Washington (O Grande Debate) | Duração: 139 minutos

Mesmo que o diretor Denzel Washington não tenha conseguido separar-se da origem teatral, Um Limite Entre Nós é uma forte narrativa que envolve questões raciais, pragmatismo, sexismo e responsabilidade na visão de alguém que foi criado de maneira rígida e que na sua ignorância imposta por uma sociedade segregacionista não o permitiu que fosse só um pouco além.  Faltou sim tato ao diretor ao fazer mais cinema, o que o deixou seus dirigidos um tanto caricatos nos gestos e na maneira que se expressam – ainda que esse mesmo elenco seja tão forte quanto a mensagem expressa nas páginas do roteiro.

Leia mais

A Lei da Noite | Crítica | Live by Night, 2016, EUA

A Lei da Noite é uma homenagem aos clássicos filmes de gangsteres, mas que pouco adiciona ao gênero.

Lei da Noite-FB

Elenco: Ben Affleck, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper | Roteiro: Ben Affleck | Baseado em: Live by Night (Dennis Lehane) | Direção: Ben Affleck (Argo) | Duração: 129 minutos

Chegando um pouco antes da metade da projeção de A Lei da Noite, uma pergunta acaba aparecendo: por que vale a pena contar essa história? Isso não quer dizer que o roteiro é ruim ou a direção de Ben Affleck seja fraca. O que acontece é que a história costura temas já vistos em outras produções, tornando o filme uma homenagem ao gênero de gangsteres com pouco de novo a dizer. Com atuações excelentes e uma direção de artes fenomenal, o filme nos perde pela frágil motivação inicial do protagonista e uma tendência controladora com Affleck sendo o mandachuva de tudo – dentro e fora do filme.

Leia mais

Logan | Crítica | Logan, 2017, EUA

Mais que um filme de ação, Logan é o fruto do amadurecimento do gênero de super-heróis dos quadrinhos.

Logan (2017)

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Dafne Keen | Argumento: James Mangold | Roteiro: Scott Frank, James Mangold, Michael Green | Basedo em: Wolverine (Roy Thomas, Len Wein, John Romita, Sr.) | Direção: James Mangold (Wolverine: Imortal) | Duração: 135 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaLogan não é como sua fonte original, Velho Logan (Old Man Logan): é uma construção de um personagem que cresceu e amadureceu ao longo de dezessete anos. É um filme cheio de ação, dor e tristeza, mas também com uma sensação de satisfação, algo que está no cerne de um ator cuja história se mescla com o personagem. Se por um lado existem obras inspiradas em quadrinhos que vivem pela diversão – o que não é certo ou errado – a última aparição de Wolverine com essa cara que estamos acostumados é a chegada à vida adulta do gênero que o próprio protagonista ajudou a revitalizar em 2000.

Leia mais

Moonlight: Sob a Luz do Luar | Crítica | Moonlight, 2016, EUA

Moonlight: Sob a Luz do Luar é tão impactante quanto socos de verdade.

Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

Elenco: Trevante Rhodes, André Holland, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Naomie Harris, Mahershala Ali | Baseado em: In Moonlight Black Boys Look Blue (Tarell Alvin McCraney) | Roteiro e direção: Barry Jenkins | Duração: 111 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaApesar da pouca violência gráfica Moonlight: Sob a Luz do Luar é um daqueles filmes que saímos o impacto das pancadas. É um retrato por meio de filme de um ciclo de violência que acomete os isolados da sociedade. Focando na questão da representatividade negra e homossexual, o diretor Barry Jenkins nos conta por momentos distintos de um jovem descobrindo a si mesmo a análise de um cenário para entendermos melhor o peso da criação quando se trata das escolhas que tomamos na vida – ou achamos que tomamos – em um ambiente quase atemporal, numa viagem melancólica, bela e triste como os tons da fotografia.

Leia mais

Um Homem Chamado Ove | Crítica | En man som heter Ove, 2015, Suécia

Um Homem Chamado Ove ganha pela simpatia dos personagens, mas sobram poucas diferenças do que já vimos em outras comédias dramáticas.

Um Homem Chamado Ove (2015)

Elenco: Rolf Lassgård, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll | Roteiro: Hannes Holm | Baseado em: Um Homem Chamado Ove (Fredrik Backman) | Direção: Hannes Holm | Duração: 118 minutos

Você já viu essa história antes: o idoso rabugento e chato que se incomoda com qualquer coisa. Assim é Um Homem Chamado Ove que realmente não trás nada de novo ao gênero da comédia dramática. Mas há risadas garantidas com a personalidade do protagonista, seu jeito de viver e suas lembranças. O diretor Hannes Holm sabe como manipular a plateia, o que não é algo ruim, deixando aquela linha para ser puxada na hora certa e assim emocionar os mais sensíveis. E se por quase duas horas um filme de comédia misturado com drama faz rir e chorar, a tarefa foi cumprida.

Leia mais

Aliados | Crítica | Allied, 2016, EUA

Aliados consegue prender a atenção pela empatia criada com os protagonistas, apesar de tropeçar ao desenvolver personagens e o andamento da história.

Aliados (Allied, 2016)

Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Simon McBurney, Lizzy Caplan | Roteiro: Steven Knight | Direção: Robert Zemeckis (A Travessia) | Duração: 124 minutos

Há em Aliados ótimos momentos, principalmente para quem gosta de filmes de época. No entanto a produção falha em desenvolver personagens e o segundo ato. Mas graças ao esforço de Knight e a Zemeckis conseguimos criar uma empatia sincera com a dupla de protagonistas, algo potencializado pela atuação esplêndida de ambos. Mas esse querer fica relegado a outros momentos do roteiro que lapidam com menor atenção os outros elementos do filme, o que é uma pena quando consideramos o carinho que criamos pela dupla.

Leia mais

Lion: Uma Jornada para Casa | Crítica | Lion, 2016, EUA

Com personagens carismáticos, Lion: Uma Jornada para Casa emociona e é um apelo dos invisíveis à sociedade.

Lion: Uma Jornada para Casa (Lion, 2016)

Elenco: Dev Patel, Rooney Mara, David Wenham, Nicole Kidman, Abhishek Bharate, Divian Ladwa, Sunny Pawar | Roteiro: Luke Davies | Baseado em: A Long Way Home (Saroo Brierley, Larry Buttrose) | Direção: Garth Davis | Duração: 118 minutos

A insensibilidade não é nada fora da nossa realidade e ela se manifesta naqueles que se tornam invisível seja pela correria da vida moderna ou pela nossa própria decisão de fingir não os ver. Lion: Uma Jornada para Casa, além da óbvia mensagem de superação, é também uma voz dessas crianças que, por um motivo outro, ficaram à margem da sociedade. Mesmo que possamos ver o diretor puxando seus fios e de certa maneira manipulando a audiência não há nada de errado nisso, pois Davis nos leva a um caminho que podemos até não querer, mas que durante duas horas seremos obrigados a encarar.

Leia mais

Toni Erdmann | Crítica | Toni Erdmann, 2016, Alemanha-Áustria

Toni Erdmann é um daqueles filmes que não sabemos como apresentar, mas que mesmo assim nos conquistam.

Toni Erdmann | 2016

Elenco: Peter Simonischek, Sandra Hüller, Ingrid Bisu, Michael Wittenborn, Thomas Loibl, Trystan Pütter, Hadewych Minis, Lucy Russell, Vlad Ivanov, Victoria Cocias | Roteiro e direção: Maren Ade | Duração: 162 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaToni Erdmann é como seu personagem título: gostamos, mas não sabemos muito bem o que fazer com ele. É um desafio apresenta-lo ao grande público, aos amigos ou familiares. É um pouco contraditório se expressar assim, mas a produção de Maren Ade é estranhamente boa, diferente do que estamos acostumados; e também estranhamente familiar e divertida. As situações que os personagens passam são extrapolações das que nós passamos nas relações familiares, elementos que a diretora usa para reforçar a mensagem do filme, que podem ser descritas como absurdas – o que não quer dizer que nelas não haja algum tipo de realidade.

Leia mais

Cinquenta Tons Mais Escuros | Crítica | Fifty Shades Darker, 2017, EUA

Cinquenta Tons Mais Escuros entra em autofagia, repetindo os próprios clichês e diminuindo mais ainda a figura da protagonista e de outras mulheres.

Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker) | 2017

Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Kim Basinger, Luke Grimes, Eloise Mumford, Max Martini, Eric Johnson, Rita Ora, Victor Rasuk | Roteiro: Niall Leonard | Baseado em: Cinquenta Tons Mais Escuros (E.L. James) | Direção: James Foley | Duração: 118 minutos

Estamos na segunda história e Cinquenta Tons Mais Escuros se mostra apenas como um adendo da aventura erótica do anterior com palavras a mais. Se na primeira vez havia um ar de novidade ao trazer ao grande público (sugeridas) cenas de sexo e sadomasoquismo, a continuação é um grande engodo que tenta parecer séria ao tratar temas delicados e polêmicos, mas causa risos involuntários. Junte isso com a baixa qualidade de atuação da dupla de protagonistas, um diretor que parece ter se esquecido do significado da palavra dirigir e um roteiro que é apenas mais um romance disfarçado de moderno e temos uma das maiores enganações do ano.

Leia mais

Para cima