Arquivo para a Categoria ‘cinema francês’

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas | Crítica | Valerian and the City of a Thousand Planets, 2017, França

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é grandioso e extremamente bem feito, mas falta lapidação no roteiro e conta com fracas atuações.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets) Crítica

Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Kris Wu, Rutger Hauer | Roteiro: Luc Besson | Baseado em: Valérian et Laureline (Pierre Christin, Jean-Claude Mézières) | Direção: Luc Besson (Lucy) | Duração: 137 minutos

Existe sempre um perigo em adaptar algo que é grandioso desde o seu cerne, como é o caso de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. Transportar das histórias em quadrinhos, uma plataforma praticamente sem limites, sem se perder no caminho não é tão incomum – e exemplos não faltam. Essa é uma obra ambiciosa de Luc Besson, que apostou alto no visual de um lugar onde podemos ver 200 espécies de alienígenas diferentes, muitas cores e culturas, e que precisava contar uma boa história, mesmo que ela seja um tanto simples. Apesar de visualmente espetacular, ainda que alguns cenários sejam familiares, a trama se alonga além do necessário, tornando a experiência cansativa durante um bom tempo.

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Feliz Natal | TigreCast #156 | Podcast

Feliz Natal | TigreCast #156 | Podcast

Tonight, these men were drawn to that altar like it was a fire in the middle of winter. Even those who aren’t devout came to warm themselves” – Father Palmer

Para começarmos a entrar nessa época de festas, conversamos sobre um filme anti-guerra com uma bela mensagem de união entre os povos: o considerado cult Feliz Natal (Joyeux Noel, 2005) dirigido e roteirizado por Christian Carion e que conta com Diane Kruger, Daniel Brühl, Benno Fürmann e Guillaume Canet no elenco.

Nesse podcast, Tiago Lira (@tiagoplira) e Emerson Teixeira (@cronodoacaso) conversam sobre símbolos de luz, desenvolvimento de personagens e de como os horrores da guerra podem ser perpetuados enquanto procuramos alguma esperança nos personagens que, por um momento, deixaram de lutar por linhas imaginárias desenhadas num mapa durante a I Guerra Mundial.

Sejam bem-vindos ao TigreCast!

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O Pequeno Príncipe | Crítica | Le Petit Prince, 2015, França

Le Petit Prince, 2015

Com André Dussollier, Florence Foresti, Vincent Cassel, Marion Cotillard, Guillaume Gallienne, Laurent Lafitte, Vincent Lindon. Dublado por Marcos Caruso, Larissa Manoela, Priscila Amorim, Mattheus Caliano. Roteirizado por Irena Brignull, Bob Persichetti, baseado na obra de Antoine de Saint-Exupéry. Dirigido por Mark Osborne (Kung-Fu Panda).

10/10 - "tem um Tigre no cinema"A melhor coisa da nova versão de O Pequeno Príncipe é que o diretor Mark Osborne e os roteiristas Irena Brignull e Bob Persichetti fogem do clichê de contar de novo a história que já conhecemos. A produção é, no cerne, uma homenagem à obra de Antoine de Saint-Exupéry, mas consegue ir além ao contar como podemos relacionar essa história simples e singela com a nossa própria vida, o crescer e as perdas que encaramos no caminho, mas sem esquecer aquele passado alegre e colorido dos tempos de criança. Some isso a uma fantástica animação 3D que se mistura com stop-motion, e você terá uma das melhores experiências cinematográficas desse ano.

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Yves Saint Laurent | Crítica | Yves Saint Laurent, 2014, França

Yves Saint Laurent, 2014

Com Pierre Niney, Guillaume Gallienne, Charlotte Le Bon, Laura Smet, Marie de Villepin, Xavier Lafitte e Nikolai Kinski. Roteirizado por Jacques Fieschi, Jalil Lespert, Jérémie Guez e Marie-Pierre Huster, baseado na biografia escrita por Laurence Benaïm. Dirigido por Jalil Lespert.

7,5 - "tem um Tigre no cinema"Para quem não conhece os grandes nomes da alta-costura, Yves Saint Laurent é um retrato de um período cheio de glamour. Também de grandes dificuldades, pois mostra um homem talentoso, mas que esteve à sombra de outro famosíssimo artista. Apesar das cinebiografias serem bem comuns, elas podem facilmente cair no panfletário, agradando apenas para apreciadores do personagem em questão. Jalil Lespert consegue um meio termo ao mostrar o lado genial de Yves e seus defeitos. Estreando na direção, ele filma planos belíssimos, mesmo que nem sempre consiga prender a atenção do espectador.

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Um Alguém Apaixonado (Like Someone in Love, 2012, Japão-França) [Crítica]

Com Tadashi Okuno, Rin Takanashi, Denden e Ryo Kase. Roteirizado e dirigido por Abbas Kiarostami (Cópia Fiel).

Para os ocidentais, o Japão pode parecer um país frio, e os relacionamentos acompanham essa visão estreita. Kirostami mostra que não é bem assim no seu filme multicultural “Um Alguém Apaixonado”. Em todo lugar as pessoas sofrem de carência, se apaixonam e buscam o amor. Mas também mentem para manter uma aparência e para tentarem segurar o máximo uma normalidade, e até se enganando. O filme é uma longa e às vezes incômoda reflexão sobre a solidão e o amor, ou pelo menos algo que os personagens acreditam ser.

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Intocáveis (Intouchables, 2011, França) [Crítica]

Com François Cluzet, Omar Sy, Audrey Fleurot, Clotilde Mollet, Alba Gaïa Kraghede Bellugi, Cyril Mendy e Anne Le Ny. Roteirizado e dirigido por Olivier Nakache e Éric Toledano.

É interessante que o nome “Intocáveis” tenha um efeito totalmente oposto na audiência. Quero dizer, é impossível não ficarmos tocados pela história intimista, cheia de esperança e engraçada envolvendo um tetraplégico e seu nada convencional cuidador. Baseado (levemente, como podemos ver nos créditos finais) em uma história real, a dupla de roteiristas/diretores nos trazem um filme que não faz mal a ninguém e que, apesar de começar por causa de dramas pessoais, não se deixa levar por isso. Ao contrário, nos faz rir. E muito.

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O Artista (The Artist, 2011, França) [Crítica]

Com Jean Dujardin, Bérénice Bejo, Uggie, John Goodman e James Cromwell. Escrito e dirigido por Michel Hazanavicius (Agente 117 – Uma Aventura no Cairo).

Não perca este filme de cinema. De verdade, é uma grande homenagem ao cinema. Todo o cuidado com para parecer que foi feito na época, a metalinguagem empregada enquanto vimos filmes dentro do filme e a coragem de fazê-lo mudo e comercial (porque filmes mudos em si não deixaram de ser produzidos), fazem de “O Artista” um dos melhores de 2011. A comédia romântica tem todos as boas peculiaridades de um grande filme, alternando momentos de riso, de doçura e de pequenos dramas, assim como é a vida.

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O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, 2001, França) [Crítica]

Com Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, e Rufus. Roteiro de Jean-Pierre Jeunet e Guillaume Laurant. Dirigido por Jean-Pierre Jeunet (Alien – A Ressureição).

Existe algum tipo de rejeição ao cinema francês para quem não é apreciador de cinema. Se você é um deles, deve assistir esse filme, pois será um introdução bem mais suave ao cinema daquele país. Mas longe de ser um filme fraco. Uma colagem de comédia e romance fora dos padrões, com cortes acelerados e viagens visuais transformam a personagem em uma heróina, e assim sendo, tem que percorrer o “caminho do herói”. Isso e um pouco mais marcam “O Fabuloso Destino…” como um dos filmes mais divertidos da primeira década do século XXI.

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Os Olhos sem Rosto (Les Yeux sans Visage, 1960, França-Itália) [Crítica]

Com Pierre Brasseur, Alida Valli, Juliette Mayniel e Edith Scob. Escrito por Pierre Boileau, Thomas Narcejac, Jean Redon e Claude Sautet. Baseado no romance de Georges Franju. Dirigido por Georges Franju. A obssessão de um cirurgião plástico não conhece limites para reparar o mal que fez à filha. Christiane (Edith) sofreu um acidente de carro, causado pelo pai, e teve o rosto desconfigurado.  Agora o Prof. Genessier (Brasseur) vai fazer o que for preciso para dar uma vida normal a filha, custe as vidas que custar.

Um filme de terror com mais de 50 anos não pode perder o carisma. Mas também é preciso que espectador se coloque no lugar da plateia daquela época e não julgue a película com os olhos dos séculos XX e XXI. E você vai sentir isso se assistiu “A Pele que Habito“. Os temas tem uma certa semelhança. Inclusive a primeira cena em que vemos o Prof Genessier claramente inspirou Almodóvar na apresentação do Dr Roberto. Ambos se dirigem à audiência sobre transplantes de rosto, cada um à sua época. Mas as motivações de Genesserier são diferentes. Ele quer fazer o bem e ajudar a sua filha. Mas como qualquer médico insano, não mostra nenhum remorso pelas cobaias. As humanas tem que morrer, e as animais são constantemente operados e vivendo engaiolados.

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O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le papillon, 2007, França) [Crítica]

Com Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner e Max von Sydow. Escrito por Ronald Harwood (O Pianista) e dirigido por Julian Schnabel (Antes que a noite caia). Filme biográfico baseado no livro de mesmo nome escrito por Jean-Dominique Bauby, que depois de acordar de um coma, só pode se comunicar por piscadas de seu olho esquerdo.

O diretor do filme e o de fotografia, Janusz Kaminski, nos mostram literalmente a visão de Jean-Dominique (Amalric) nos primeiros 40 minutos do filme, colocando a câmera na altura de sua cabeça, pendendo um pouco para o lado, embaçando a lente quando chora, e a escurecendo quando pisca. Esse olhar chega a ser claustrofóbico (como estar dentro de um escafandro) e até aterrorizante, em especial quando um médico costura o olho direito de Jean-Dominique; mas é alternada depois, quando o personagem aceita sua situação e decide não sentir pena dele mesmo: só aí nos é mostrado a condição física do personagem. Como uma borboleta, ele sai do casulo. No patamar de histórias de superação, esse filme/livro é obrigatório.

Várias vezes Jean-Dominique expressa a sua condição como se fosse submergido num escafandro antigo e pesado, onde não é possível se movimentar e só seguir com o olhar onde a força da água e do cabo te deixam ir. É injusto isso acontecer com qualquer um. Em uma cena em especial, Jean é cuidado por duas médicas terapeutas, as duas  lindas, e ele não muda seu jeito de ser: a primeira coisa que nota são como elas são bonitas, nota as pernas e os decotes delas. E também faz isso com a ex-mulher. Mesmo preso ao próprio corpo (a chamada “síndrome do encarceramento“) e se comunicando apenas com um olho, piscando uma vez para “sim” e duas para “não”, Dominique “ditou” um livro sílaba por sílaba dizendo o que se passa na sua cabeça e a visão que ele tem do mundo agora. A palavra “morte” é citada uma vez, para não aparecer de novo. Tristezas e dificuldades sim, mas com a força de vontade que poucos teriam. Genial, lindo e comovente são poucos os adjetivos para dar à esse filme. Não gosto de fazer comparações, mas “O Escafandro e a Borboleta” é tudo que “Dançando no Escuro” não é!

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