Arquivo para a Categoria ‘cinema brasileiro’

O Filme da Minha Vida | Crítica | 2017, Brasil

O Filme da Minha Vida é um recorte dessa nossa jornada pelo mundo, com bons e maus momentos – assim como a própria vida.

O Filme da Minha Vida | Crítica

Elenco: Johnny Massaro, Vincent Cassel, Bruna Linzmeyer, Selton Mello, Ondina Clais, Bia Arantes, Martha Nowill, Erika Januza, Miwa Yanagizawa, Rolando Boldrin | Roteiro: Selton Mello, Marcelo Vindicatto | Baseado em: O Filme da Minha Vida (Antonio Skármeta) | Direção: Selton Mello (Feliz Natal)

Filmes sobre amadurecimento existem aos montes e nem sempre é fácil encontrar um caminho para destaca-los. Em O Filme da Minha Vida o diretor Selton Mello está no auge na função e  o caminho que ele escolheu é tornar o filme mais poético, com um protagonista apaixonado por livros, dotado de lirismo, envolvendo drama e um pouco de espaço para romance – e com algumas piadas para quebrar a sensação de melancolia que permeia toda a narrativa. Apesar da beleza visual e plástica do filme se destacar, o roteiro conta com ótimos momentos e viradas que dão vontade de rever logo depois para perceber as pistas deixadas pelo roteirista/diretor em cenas que podemos pensar estar perdidas, mas que são amarradas tranquilamente na conclusão.

Leia mais

Soundtrack | Crítica | Brasil, 2017

Soundtrack vai por um caminho por explorado do cinema: o da poesia filmada.

Soundtrack (2017) Crítica

Elenco: Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Lukas Loughran, Thomas Chaanhing, J.G.Franklin | Roteiro e direção: 300 ml | Duração: 112 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaExistem filmes que prezam pelo entretenimento – e não há nada de errado nisso – mas de vez em quando aparece um como Soundtrack, que te pega pela mão e te leva por um caminho diferente, querendo que você aprecie o passeio sem indicar atalhos para essa estrada. Num misto de arte e uma visão publicitária, pois os diretores atendem por uma alcunha típica da área (300 ml), essa produção brasileira se permite interagir com várias partes do mundo num cenário internacional, fazendo a produção passar os limites da regionalidade geográfica e se torna, verdadeiramente, um filme do mundo.

Leia mais

O Rastro | Crítica | 2017, Brasil

O Rastro é o terror que busca inspiração num dos maiores terrores do brasileiro: depender do SUS.

O Rastro (2017) | Crítica

Elenco: Rafael Cardoso, Leandra Leal, Natália Guedes, Claudia Abreu, Felipe Camargo, Jonas Bloch, Domingos Montagner | Roteiro: André Pereira, Beatriz Manela | Direção: J. C. Feyer | Duração: 110 minutos

Feyer levou para as telas um filme de terror bem nos moldes clássicos, mas que faz mais sentido aos brasileiros. O Rastro é, em suma, o retrato da saúde pública daqui contada pela ótica do horror. Não é preciso viver exclusivamente do SUS para termos noção disso – talvez se perguntarmos para quem viva exclusivamente dele conseguiremos uma resposta clara: viver contando com o sistema único brasileiro é como um pesadelo. Deixando isso de lado, o diretor acaba por prejudicar a sua obra ao exagerar nos gritos e na trilha sonora que vem num rompante para reforçar o susto na plateia, além de contar com algumas suspensões de descrença, se destacando pelo plano de fundo.

Leia mais

O Filho Eterno | Crítica | 2016, Brasil

O Filho Eterno (2016)

Elenco: Marcos Veras, Débora Falabella, Pedro Vinícius, Uyara Torrente, Zeca Cenovicz, Augusto Madeira | Roteiro: Leonardo Levis | Baseado em: O Filho Eterno (Cristovão Tezza) | Direção: Paulo Machline (Trinta)

O Filho Eterno é um bom drama que traz consigo os aprendizados que temos pelo amor ou pela dor.

7,5 - "tem um Tigre no cinema"Se existe uma grande lição que a vida te dá é que nossos planos são uma ilusão. Sempre acreditamos que não vai acontecer conosco, até que acontece e, em desespero, procuramos culpados ao invés de entendimento. O Filho Eterno é um drama que conta com esse peso de termos de encarar a vida com todas essas surpresas e como aprendemos pelo amor ou pela dor. É uma produção nacional fora dos padrões que somos saturados na comédia nacional ao abordar a Síndrome de Down que assim como muitos outros problemas – incluindo os sociais – preferimos fingir não estar lá, além de mostrar uma mensagem sobre inclusão.

Leia mais

Elis | Crítica | 2016, Brasil

Elis (2016)

Elenco: Andréia Horta, Gustavo Machado, Caco Ciocler, Lucio Mauro Filho, Julio Andrade, Zécarlos Machado, Rodrigo Pandolfo, Icaro Silva, César Troncoso, Isabel Wilker, Bruce Gomlevsky | Roteiro: Luiz Bolognesi, Vera Egito, Hugo Prata | Direção: Hugo Prata

Elis é uma cinebiografia que homenageia uma das maiores vozes da MPB sem esconder seus defeitos.

7,5 - "tem um Tigre no cinema"Quantos menos adjetivos para descrever uma obra, melhor. Então é mais que justo dizer que Elis é um grito. Hugo Prata grita Elis em todos os cantos do seu filme, tão forte quanto a voz característica da musa da Música Popular Brasileira. O filme é uma ode de paixão à uma cantora que foi querida por tantos, mas sem deixar de lado as imperfeições de seus rastros na sua curta passagem de trinta e seis anos nesse planeta. É uma daquelas obras pensadas tanto para apresentar detalhes da vida para aqueles que não a conheciam bem e para quem já é fã da artista.

Leia mais

É Fada! | Crítica | Brasil, 2016

É Fada! (2016)

Elenco: Kéfera Buchmann, Klara Castanho, Mariana Santos, Carla Daniel, Clara Tiezzi, Christian Monassa, Bruna Griphão, Junior Vieira | Roteiro: Fernando Ceylão, Bárbara Duvivier, Sylvio Gonçalves | Inspirado em: Uma fada veio me visitar (Thalita Rebouças) | Direção: Cris D’Amato (S.O.S.: Mulheres ao Mar)

Do Youtube para o Cinema, É Fada mostra talento de Kéfera como atriz. E só.

2/10 - "tem um Tigre no cinema"Uma abordagem bem comum é a exploração de nichos, e o de Youtubers indo ao cinema é apenas mais um deles. Ainda é cedo para dizer, mas se É Fada é o exemplo de material cinematográfico que os produtores têm na manga, serão muitas experiências frustradas. Fazendo um apelo para os fãs de uma estrela que tem nove milhões de inscritos – e com vídeos que conseguem até três milhões de visualizações – faltou cuidado com todos os quesitos, passando pelo roteiro, direção, fotografia e outros quesitos técnicos. É um dos piores tipos de caça-níqueis. Mas não é culpa da dupla principal, o destaque do filme.

Leia mais

Pequeno Segredo | Crítica | Brasil, 2016

Pequeno Segredo (2016)

Elenco: Julia Lemmertz, Maria Flor, Fionnula Flanagan, Erroll Shand, Marcello Antony, Mariana Goulart | Roteiro: Marcos Bernstein | Baseado em: Pequeno Segredo: A lição de vida de Kat para a Família Schurmann (Heloísa Schurmann) | Direção: David Schurmann

Pequeno Segredo apela para um desnecessário melodrama, além de ser extremamente desonesto com o espectador.

5/10 - "tem um Tigre no cinema"É bem evidente que David Schurmann abriu seu coração e o derramou nas páginas do roteiro de Pequeno Segredo. Porém, uma história deve ser emocionante por si só e Schurmann, na função de diretor, força o melodrama, um dos grandes defeitos da produção. Para nos fazer chorar, o cineasta velejador usa de artifícios como a música exageradamente dramática a cada momento trágico da história e essa não é a única desonestidade da narrativa. Sem sombra de dúvidas, foram anos que deixaram uma marca indelével nos Schurmann, e contá-la lhes pareceu importante. Só não precisava ser forçado para a audiência da maneira que foi.

Leia mais

O Silêncio do Céu | Crítica | Era el Cielo (2016) Brasil-Uruguai

Era el Cielo (2016)

Elenco: Leonardo Sbaraglia, Carolina Dieckmann, Chino Darín, Álvaro Armand Ugón, Mirella Pascual, Roberto Suárez, Paula Cohen, Priscila Bellora, Dylan Cortes, Gabriela Freire, María Mendive | Roteiro: Lucía Puenzo, Sergio Bizzio, Caetano Gotardo | Baseado em: Era el Cielo (Sergio Bizzio) | Direção: Marco Dutra (Quando eu era Vivo)

O Silêncio do Céu é uma abordagem direta, um filme impactante e que lida com o terrível assunto da violência contra a mulher e da culpabilização da vítima

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Existem situações tão terríveis que merecem uma abordagem direta ao invés da simbólica. A violência sexual contra mulheres um tabu ainda gigantesco na sociedade e por isso Marco Dutra explora esse ato tão cruamente em O Silêncio do Céu, sem meias palavras, direto como um soco no estômago, para sensibilizar ao mesmo tempo em que choca a plateia. Cheio de reflexões, preenchidas por uma narração que em determinados momentos exagera a explicação, esse é um filme extremamente triste, que lida com medos e horrores de uma sociedade que é doente em parte e talvez sem cura.

Leia mais

Desculpe o Transtorno | Crítica | Brasil, 2016

Desculpe o Transtorno (2016)

Elenco: Gregorio Duvivier, Clarice Falcão, Dani Calabresa, Marcos Caruso, Rafael Infante, Daniel Duncan, Zezé Polessa | Argumento: Pedro Carvalhaes | Roteiro: Tatiana Maciel, Célio Porto | Direção: Tomas Portella (Operações Especiais)

Desculpe o Transtorno é agradável e consegue tirar risadas, ainda que trabalhe com estereótipos e clichês.

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Antes de assistir Desculpe o Transtorno paira a dúvida para qual lado o filme pende mais. Depois de entender que é uma comédia romântica, não é de se espantar que ele siga mais para o lado do romance. Porém, não é um demasiadamente açucarado e há muitos momentos engraçados. E apesar de ter um desfecho previsível, o caminho que Tatiana Maciel e Célio Porto tomam tem percalços pouco comuns na narrativa da comédia nacional – inclusive com a liberdade de alguns palavrões –, não traz nada de novo, reforça alguns estereótipos da rixa São Paulo e Rio de Janeiro, mas é suficientemente leve para agradar quem já não aguenta mais piadas com gente gritando.

Leia mais

Aquarius | Crítica | Brasil, 2016

Aquarius (2016)

Elenco: Sonia Braga, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Humberto Carrão | Roteiro e Direção: Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor)

Aquarius é uma batalha contra vários tipos de opressão, e só peca pela falta de dinamismo.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Uma coisa é impossível de se negar: Kléber Mendonça Filho arriscou muito em Aquarius. Assim como em O Som ao Redor, a nova produção é um recorte de uma vida, dessa vez se concentrando em apenas uma história. Durante a longa projeção de 140 minutos há risos, dramas e uma contemplação nem sempre necessária. Se a mensagem fosse menos relevante e se a protagonista fosse menos interessante, a falta de dinâmica enterraria o filme. Do mesmo jeito que a vida, é difícil acompanhar toda a narrativa da última resistente do prédio, e apenas faltou um equilíbrio por parte de Mendonça ao usar o tempo como elemento, ainda que ele seja um ótimo diretor.

Leia mais

O Caseiro | Crítica | Brasil, 2016

O Caseiro (2016)

Com Bruno Garcia, Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg, Malu Rodrigues. Roteirizado por Julio Santi, Felipe Santi e João Segall. Dirigido por Julio Santi.

Nadando em rios pouco navegados, O Caseiro é um suspense nacional com elementos tirados de outros filmes, mas que vale a pena ser visitado.

6/10 - "tem um Tigre no cinema"Num cenário onde as comédias de gosto duvidoso dominam, vale a pena dar uma olhada em um gênero pouco explorado no cinema nacional. Apesar disso, não espere nenhuma originalidade em O Caseiro. Durante a projeção fica fácil caçar referências de produções recentes e clássicas. Mesmo assim é um filme bem dirigido, foge dos aspectos técnicos de produção que tem a intenção de fazer sucesso na televisão e insere alguns elementos familiares para nós brasileiros. Vale, no mínimo, uma visita apenas para confirmar que o nosso cinema não é só Globo Filmes.

Leia mais

De Onde Eu Te Vejo | Crítica | 2016

De Onde Eu Te Vejo (2016)

Com Denise Fraga, Domingos Montagner, Manoela Aliperti, Marisa Orth, Juca de Oliveira e Fúlvio Stefanini. Roteirizado por Leonardo Moreira e Rafael Gomes. Dirigido por Luiz Villaça.

Passeando entre o romance, a comédia e o drama, De Onde Eu Te Vejo se destaca dentro do gênero nas produções nacionais.
8/10 - "tem um Tigre no cinema"O cinema brasileiro foi maltratado por causa da gana das produtoras em enfiar goela abaixo comédias estúpidas e romances açucarados. De Onde Eu Te Vejo foge da maioria desses clichês, mesmo usando dos elementos citados. É uma comédia, assim como é um romance, tanto quanto um drama. Essa mistura permeia a narrativa com equilíbrio, sem deixar que um aspecto fique mais à frente de outro, além de ser tecnicamente impecável. Mesmo com alguns problemas – poucos, é verdade – é uma história bonita, leve, agradável de ser assistida e que pode fazer você se reconectar com quem ama de verdade, mesmo numa metrópole como São Paulo.

Leia mais

Para cima