Arquivo para a Categoria ‘9/10’

Fragmentado | Crítica | Split, 2017, EUA

Fragmentado mistura gêneros assim como seu protagonista mistura personagens, isso sem perder em nenhum momento a tensão, além do ser a ressurreição de M. Night Shyamalan.

Fragmentado (2017)

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula | Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan (A Visita) | Duração: 117 minutos | Cena Extra

Quando um filme é tão tenso que você não consegue tirar os olhos da tela é ao mesmo tempo tão cheio de camadas, você deve parar para analisar além da superfície. Fragmentado não é só o retorno de M. Night Shyamalan ao posto de bom diretor; é também uma experiência que precisa ser compartilhada. Com poucos momentos para nos escondermos, e o diretor nos permite isso apenas nos flashbacks de uma personagem, a produção não se perde ao misturar gêneros – melhor seria dizer que eles emergem, assim como as múltiplas personalidades do protagonista. Mais uma vez sabendo como carregar a narrativa, o diretor nos leva para caminhos sombrios e desesperadores e consegue que sejamos partícipes de cada momento de horror e do desconhecido.

Leia mais

Silêncio | Crítica | Silence, 2016, EUA-Japão

Silêncio é uma reflexão da ligação do humano com o divino e um dos melhores filmes de Martin Scorsese.

Silêncio (Silence, 2016)

Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Ciarán Hinds, Liam Neeson, Tadanobu Asano, Issey Ogata, Yōsuke Kubozuka | Roteiro: Jay Cocks, Martin Scorsese | Baseado em: Silêncio (Shūsaku Endō) | Direção: Martin Scorsese (Taxi Driver) | Duração: 161 minutos

A obsessão de Martin Scorsese com a religião não é novidade: desde a culpa católica até a sua versão do Cristo, considerada profana por muitos, e visitando até a figura do Dalai Lama. E em Silêncio o diretor faz uma reflexão do humano em relação com o divino, da dureza do Criador, cheia de caminhos tortuosos e dolorosos. A virtude dos personagens é testada longamente, refletindo a extensão pouco usual de um filme de padrões comerciais. E assim como os protagonistas, é no silêncio que devemos refletir se existe alguma resposta, uma experiência que funciona tanto para aqueles que acreditam em alguma força divina quantos os que não.

Leia mais

Eu Não Sou Seu Negro | Crítica | I Am Not Your Negro, 2016, EUA

Eu Não Sou Seu Negro é um importante documentário sobre a vida e a morte dos principais ativistas negros dos Estados Unidos pelos olhos de um grande amigo deles.

Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro, 2016)

Elenco: Samuel L. Jackson | Roteiro: James Baldwin, Raoul Peck | Baseado em: Remember This House (James Baldwin) | Direção: Raoul Peck | Duração: 96 minutos

Pode ser que eu, um homem branco de classe média que nunca foi abordado na rua por causa da cor da minha pele, não seja o mais indicado para falar da importância do documentário Eu Não Sou Seu Negro. Por outro lado, as palavras de James Baldwin ecoam na sala e na mente depois da sessão, exatamente a intenção do ativista social falecido em 1987. Apesar das reflexões do autor serem mais pertinentes à realidade do povo estadunidense, é impossível não se sentir mal com as cenas de violência direcionadas aos nossos semelhantes numa época que está distante apenas cronologicamente, e que infelizmente se aproxima cada vez mais de nós.

Leia mais

Armas na Mesa | Crítica | Miss Sloane, 2016, EUA

Armas na Mesa é um discurso importante sobre o custo de seguir seus princípios e até onde estamos dispostos a ir por eles.

Armas na Mesa (Miss Sloane) 2016

Elenco: Jessica Chastain, Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, Michael Stuhlbarg, Alison Pill, Jake Lacy, John Lithgow, Sam Waterston | Roteiro: Jonathan Perera | Direção: John Madden | Duração: 132 minutos

Seja lá qual for a sua posição sobre o porte de armas, Armas na Mesa é um filme muito interessante, ainda que advogue para um dos lados. Mais uma posição – e não uma propaganda, considerando que os contrários não tem renda que o outro lado tem – é uma história sobre estratégias, jogo sujo e entra em detalhes sórdidos de ditos bastiões da justiça. Tocando em pontos sensíveis – massacres perpetrados por atiradores, a visão quase sagrada da Constituição dos Estados Unidos, dinheiro – a produção segue um caminho fictício para dar voz a uma crescente opinião pública e irá agradar mais os defensores do desarmamento. Para os que não são, pode servir para abrir discussões sobre o assunto.

Leia mais

A Qualquer Custo | Crítica | Hell or High Water, 2016, EUA

A Qualquer Custo pode ser chamado de neo-western, onde o confronto entre o velho e o novo é tão forte quanto a maior das explosões.

A Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016)

Elenco: Chris Pine, Jeff Bridges, Ben Foster, Gil Birmingham | Roteiro: Taylor Sheridan | Direção: David Mackenzie | Duração: 102 minutos

No fundo, A Qualquer Custo tem vários elementos narrativos de um western e é proposital. O cenário texano que mostra tanto a solidão quanto uma pretensa modernização é um choque de gerações – o velho e novo, o tradicional e o moderno –, uma situação que os protagonistas tentam fugir. Essa fuga das correntes do passado ao mesmo tempo lidando com problemas modernos, representando pelos bancos, tornam os personagens algo além do clássico bandidos e mocinhos do gênero influenciador de Mackenzie e Sheridan ao ponto de criarmos empatia mesmo com os fora da lei. Ou melhor, aos à margem da sociedade.

Leia mais

Até o Último Homem | Crítica | Hacksaw Ridge, 2016, EUA-Austrália

Até o Último Homem passeia entre os clássicos filmes de guerra e reafirma a fé do diretor.

Até o Último Homem (2016)

Elenco: Andrew Garfield, Sam Worthington, Luke Bracey, Teresa Palmer, Hugo Weaving, Rachel Griffiths, Vince Vaughn | Roteiro: Andrew Knight, Robert Schenkkan | Direção: Mel Gibson (Coração Valente) | Duração: 139 minutos

Dependendo da sua visão de mundo, Até o Último Homem vai chamar atenção por motivos diferentes. Para quem é fã dos clássicos filmes de Guerra ou àqueles que buscam uma resposta espiritual no meio do caos, o diretor Mel Gibson, felizmente, consegue equilibrar esses motivos sem deixar que um se sobreponha ao outro – mas não tem receio em expressar a sua fé através da nova produção. Com três atos bem definidos, o diretor mostra o caminho de alguém contra a maré e o senso comum que não precisa ser aplicado necessariamente num viés religioso, o que é inspirador para qualquer um que acredite que pode fazer a diferença em seus próprios termos.

Leia mais

Rainha de Katwe | Crítica | Queen of Katwe, 2016, EUA

Rainha de Katwe (2016)

Elenco: David Oyelowo, Lupita Nyong’o, Madina Nalwanga | Roteiro: William Wheeler | Baseado em: The Queen of Katwe: A Story of Life, Chess, and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grandmaster (Tim Crothers) | Direção: Mira Nair

Rainha de Katwe é uma contagiante história de superação e uma importante produção para a representatividade negra e feminina.

 

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Há uma alegria contagiante em Rainha de Katwe. Ao invés de se perder no melodrama, a diretora Mira Nair prefere contar a força de um povo num filme onde a crítica social anda de mãos dadas com o entretenimento do cinema. As cenas que se passam na favela de Katwe são duras e muitas vezes tristes, mas o lugar não é usado como muleta narrativa. Os acontecimentos dali tem a função de nos tirarem do lugar de conforto, uma realidade que a maioria de nós não vive. O cinema torna-se então uma plataforma para uma cultura pouco explorada em produções ocidentais, quebrando paradigmas hollywoodianos com um elenco majoritariamente negro e com uma mulher na direção para sair do marasmo tão conhecido por nós.

Leia mais

Demônio de Neon | Crítica | The Neon Demon (2016), EUA-Dinamarca-França

Demônio de Neon (2016)

Elenco: Elle Fanning, Christina Hendricks, Keanu Reeves, Jena Malone, Bella Heathcote | Roteiro: Nicolas Winding Refn, Mary Laws, Polly Stenham | Direção: Nicolas Winding Refn (Drive)

Demônio de Neon é uma experiência visual que não perde o rumo quando apresenta sua forma

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Se antes Nicolas Winding Refn era mais direto, cru e até exagerado nos seus trabalhos anteriores, em Demônio de Neon há uma transcendência, quase como se estivesse filmando uma poesia. É o seu trabalho mais maduro, influenciado por diretores como Terrence Malick, mais ousado e recheado de metáforas, sendo algumas óbvias e outra nem tanto. Além de contar com uma narrativa interessante, esse é um daqueles filmes que devemos mergulhar sem distrações, na sala mais escura possível e sem barulhos externos. Em outras palavras, é uma experiência audiovisual como poucas e que não perde o conteúdo enquanto apresenta a sua forma.

Leia mais

O Silêncio do Céu | Crítica | Era el Cielo (2016) Brasil-Uruguai

Era el Cielo (2016)

Elenco: Leonardo Sbaraglia, Carolina Dieckmann, Chino Darín, Álvaro Armand Ugón, Mirella Pascual, Roberto Suárez, Paula Cohen, Priscila Bellora, Dylan Cortes, Gabriela Freire, María Mendive | Roteiro: Lucía Puenzo, Sergio Bizzio, Caetano Gotardo | Baseado em: Era el Cielo (Sergio Bizzio) | Direção: Marco Dutra (Quando eu era Vivo)

O Silêncio do Céu é uma abordagem direta, um filme impactante e que lida com o terrível assunto da violência contra a mulher e da culpabilização da vítima

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Existem situações tão terríveis que merecem uma abordagem direta ao invés da simbólica. A violência sexual contra mulheres um tabu ainda gigantesco na sociedade e por isso Marco Dutra explora esse ato tão cruamente em O Silêncio do Céu, sem meias palavras, direto como um soco no estômago, para sensibilizar ao mesmo tempo em que choca a plateia. Cheio de reflexões, preenchidas por uma narração que em determinados momentos exagera a explicação, esse é um filme extremamente triste, que lida com medos e horrores de uma sociedade que é doente em parte e talvez sem cura.

Leia mais

Cães de Guerra | Crítica | War Dogs (2016) EUA

Cães de Guerra (2016)

Elenco: Jonah Hill, Miles Teller, Ana de Armas, Bradley Cooper | Roteiro: Stephen Chin, Todd Phillips, Jason Smilovic | Baseado em: Arms and the Dudes (Guy Lawson) | Direção: Todd Phillips (Se Beber, Não Case! – Parte III)

Cães de Guerra faz graça com um assunto muito sério. E exatamente por isso que é tão divertido.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"É um momento propenso para se falar de armas nos EUA e quando você conta uma história dessas por meio de humor, parece ser mais fácil encarar os fatos. Cães de Guerra é assim. Extremamente divertido, um tanto insano, mas lida com um assunto seríssimo. Dinheiro, poder, armas, sexo, drogas, rock n roll: está tudo misturado e bem equilibrado na narrativa baseada num artigo jornalístico. Essa capacidade de transformar algo tão pesado em comédia é tarefa para poucos. Seria mais fácil a mensagem direta e, provavelmente, uma abordagem dramática também funcionaria. Mas essa é uma história tão improvável que a escolha de conta-la entre risadas marca melhor.

Leia mais

Aquarius | Crítica | Brasil, 2016

Aquarius (2016)

Elenco: Sonia Braga, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Humberto Carrão | Roteiro e Direção: Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor)

Aquarius é uma batalha contra vários tipos de opressão, e só peca pela falta de dinamismo.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Uma coisa é impossível de se negar: Kléber Mendonça Filho arriscou muito em Aquarius. Assim como em O Som ao Redor, a nova produção é um recorte de uma vida, dessa vez se concentrando em apenas uma história. Durante a longa projeção de 140 minutos há risos, dramas e uma contemplação nem sempre necessária. Se a mensagem fosse menos relevante e se a protagonista fosse menos interessante, a falta de dinâmica enterraria o filme. Do mesmo jeito que a vida, é difícil acompanhar toda a narrativa da última resistente do prédio, e apenas faltou um equilíbrio por parte de Mendonça ao usar o tempo como elemento, ainda que ele seja um ótimo diretor.

Leia mais

Dois Caras Legais | Crítica | The Nice Guys (2016) EUA

Dois Caras Legais (2016)

Com Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice, Matt Bomer, Margaret Qualley, Keith David e Kim Basinger. Roteirizado por Shane Black e Anthony Bagarozzi. Dirigido por Shane Black (Homem de Ferro 3).

Dois Caras Legais é engraçado, subverte um tema muito conhecido e ainda consegue ser socialmente relevante.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"Poucos filmes conseguem misturar uma série de gêneros, e quando a comédia é o tema principal, parece mais difícil não apelar para o pastelão. Pois Dois Caras Legais é umas das melhores comédias do ano, incorporando temas nonsense e outros vindos do cinema noir, subverte o tira bom e tira mau, e ainda consegue encaixar um drama familiar sem ficar expondo isso a todo o momento. Há também um tema eco-político que, na brincadeira, faz uma crítica ao capitalismo e à indústria automobilística americana. Ritmo, piadas e a canastrice são pontos altos da produção que veio para revitalizar o estilo buddy cop.

Leia mais

Para cima