Com John C Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Alan Tudyk, Ed O’Neill e Jane Lynch. Argumento de Rich Moore, Phil Johnston e Jim Reardon. Roteirizado por Phil Johnston e Jennifer Lee. Dirigido por Rich Moore.
Todos os pôsteres de divulgação convergiam para uma direção: “Detona Ralph” seria um filme que levaria toda uma geração ao cinema para ver nossos personagens preferidos do mundo gamer. Sonic, Pac-Man, Mario e vários personagens da Capcom (principalmente da franquia Street Fighter) desfilam pelo universo do fliperama Witlak. Mas não é só isso. Os responsáveis pelo filme entregaram uma produção emocionante e divertida, que é complementada por essas presenças memoráveis. Misturando tudo isso à ação e doçura (sem ser pegajosa), a Disney ganha mais uma história para ficar na memória de qualquer um. Gamer ou não.
Com Jared Gilman, Kara Hayward, Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman, Harvey Keitel e Bob Balaban. Roterizado por Roman Coppola (Viagem a Darjeeling) e Wes Anderson. Dirigido por Wes Anderson (Os Excêntricos Tenenbaums).
Numa bucólica ilha da Nova Inglaterra, Wes Anderson nos dá um filme que é típico de sua filmografia. Retratando de um jeito muito doce o período de descobertas que acontecem na vida das crianças, o filme trata do imaginário, da aventura e do romance, sendo quase completo. Com atuações fantásticas, símbolos bem construídos e uma direção precisa, mas que pode incomodar alguns por ser “Wes Anderson” demais, “Moonrise Kingdom” é digno de atenção para todas as idades, e estará com certeza na lista de muitos dos melhores de 2012.
Com Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Anne Hathaway, Marion Cotillard e Morgan Freeman. Roteirizado por Christopher Nolan, Jonathan Nolan e David S. Goyer. Dirigido por Christopher Nolan.
“In Nolan We Trust”. Essa frase foi muito usada na internet para mensurar como estávamos confiantes na conclusão da Trilogia Batman nas mãos de Christopher e Jonathan Nolan e David S. Goyer. Depois de sete anos, chegamos a um belo fim. O filme não é perfeito, mas chega bem perto disso. Não é só um ótimo filme, mas também não deixa ponta soltas, e fecha a trilogia de um jeito que poucas séries desse tipo conseguiram. Todos os atores estão muito bem na produção e a música de Hans Zimmer também encontra seu ciclo. Alguns detalhes fazem que o filme não chegue no mesmo patamar do anterior, mas ele consegue ser um pouco melhor do que “Batman Begins” (de 2005). A única coisa triste é que não veremos mais toda essa gente envolvida para nos brindar com um novo filme.
Com Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Christina Hendricks, Ron Perlman, Oscar Isaac e Albert Brooks. Roteiro de Hossein Amini, baseado no livro de James Sallis. Dirigido por Nicolas Winding Refn.
Quando vi o trailer de “Drive” passou pela cabeça foi que seria um “Velozes e Furiosos com cérebro”. É isso e bem mais. “Drive” consegue manter o foco no desenvolvimento dos personagens sem esquecer das cenas de ação. Durante esse desenvolvimento, o filme dá um virada interessante que, apesar de anunciada, vai ter surpreender pela rapidez e a falta de misericórdia. O clima de ação, misturado com um ar noir e o roteiro criam um clima que dificilmente vai deixá-los desapontados. É tudo bem feito, passando pela atuação até os quesitos mais técnicos. E só perde pontos pelos seus dois minutos finais. Não destroem o filme, mas deixa aquela pergunta no ar de “por quê?”
Com Brad Pitt, Jonah Hill e Philip Seymour Hoffman. Argumento de Stan Chervin. Roteiro de Steven Zaillian (A Lista de Schindler) e Aaron Sorkin (A Rede Social), baseado no livro de Michael Lewis. Dirigio por Bennett Miller (Capote).
Baseball nunca foi o esporte preferido dos brasileiros. Mas isso não deve ser impedimento para que vocês assistam à esse filme. Numa escolha muito inteligente, Zaillian, Sorkin e Miller produzem uma história interessante e envolvente, mesmo não entendo os números, as posições e o sistema de pontuação do baseball. O drama envolvendo os Oakland A’s funciona por acompanharmos o ponto de vista do manager do time, Billy Beane (Pitt), sua angústia e paixão pelo esporte. E a decisão de não fazer um filme como se fosse um documentário, mas sim criar uma boa história (alternado com filmagens reais do time) constroem uma grata surpresa, e uma das melhores atuações de Brad Pitt.
Com Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn e Kristen Stewart. Roteiro de Sean Penn, baseado no livro de Jon Krakauer. Dirigido por Sean Penn (A Promessa).
Existem filmes que te dão ideias que podem parecer malucas. Quando começar a assistir “Na Natureza Selvagem”, talvez você tenha essa sensação. Deixar tudo para trás e viver apenas o dia-a-dia e se enfiar em algum canto da floresta, só vivendo do que ela oferecer, tanto vegetais como os animais. Essa é a jornada verdadeira de desprendimento total que Christopher McCandless (Hirsch) faz por ser de sua própria natureza. Durante a longa projeção deste road movie vamos entendendo seus desejos e as grandes dificuldades que enfrenta. Assim ele nos ensina mais uma vez que a natureza não serve apenas para ser aproveitada, mas também respeitada.
Com Masahiro Motoki, Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshiyuki e Tsutomu Yamazaki. Escrito por Kundo Koyama. Dirigido por Yōjirō Takita.
Muitos temem a morte. Pelo medo do desconhecido, saber que o destino que os espera não é dos melhores, ou pelo simples fato do ser o fim. Mas a preocupação dos que se foram acaba, e é a missão dos que ficam de cuidar dos receptáculos daqueles que partiram. “A Partida” mostra a morte como ela é: algo natural e que não deve ser negada ou esquecida e a difícil tarefa dos profissionais que trabalham como agentes funerários (no Japão, “nokanshi”). Com lindas paisagens, uma trilha sonora com toques clássicos e uma história com muito sensibilidade, o filme se firma como uma grata surpresa do cinema oriental. Leia mais
Com Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar e Henrik Dahl. Escrito por John Ajvide Lindqvist,baseado em seu próprio romance. Dirigido por Tomas Alfredson. Na gelada Estocolmo de 1982, o garoto Oskar (Hedebrant) vive com a mãe e tem problemas na escola por ser vítima de bullying. Ele conhece Eli (Lina) uma garota reservada como ele. Ao mesmo tempo em que ocorre um assassinato cruel nos arredores de onde eles moram.
Com Ricardo Darín, Muriel Santa Ana e Ignacio Huang. Escrito e dirigido por Sebastián Borensztein. Roberto (Darín) é um vendedor de ferragens que mora na Argentina. Ele é um colecionador, metódico e mau-humorado. Um dia, ele cruza com um chinês que chegou ao país sem falar a língua. Tudo isso começou por uma vaca que caiu do céu.
Uma comédia para fugir dos padrões americanos. Risadas são constantes nesse longa, onde entramos na pele do personagem principal porque, muito provavelmente, você não fala uma palavra de mandarim. A falta de legendas do personagem de Huang é essencial para que apreciemos o filme: temos que ficar “perdidos na tradução”. Quem deveria cuidar de Jun (Huang) o trata com descaso. Primeiro, um oficial de polícia. Isso me parece ser uma constante no universo dos filmes argentinos. A polícia é sempre mostrada como corrupta, despreparada ou violenta. O Consulado Chinês faz ligações para tentar achar a família de Jun, mas o trata como um número. Roberto cuida do rapaz, não logo de cara, claro. Mas assim começa a comédia. Roberto não tem trato com as pessoas que falam espanhol; imagine então alguém que teria que se comunicar por gestos. Até mesmo com Mari (Muriel) que é simplesmente apaixonada por ele. Roberto gosta de manter tudo sobre seu controle, e qualquer coisa que tire esse equilíbrio de suas mãos o deixa maluco, a ponto de explodir: dormir fora do horário de sempre, o número errado de parafusos numa caixa, um cliente difícil, um relacionamento ou um estranho hóspede.
O colecionismo de Roberto passa também pelas presentes que dá como homenagem para a mãe que morreu, e principalmente por notícias bizarras. Ele se imagina nessas situações, devaneando como seria estar na pele daqueles personagens. É um exercício de imaginação que parece ser a única coisa que traz um sorisso ao rosto. O filme vai nos mostrar como não controlamos certas e o que importa é fazer o certo, não importa o que seja. E também aproveitarmos as situações que nos é apresentada, como um aprendizado.
Fiquem após os créditos para ver a notícia real que inspirou o filme.
Lunar (Moon), 2009. Com Sam Rockwell e Kevin Spacey. Escrito e dirigido por Duncan Jones (Contra o Tempo). Sam Bell (Rockwell ) é um minerador lunar que está no fim de seu contrato de três anos, e em duas semanas voltará à Terra. Isolado e só com a companhia de GERTY (Spacey), um computador dotado de Inteligência Artificial, ele se vê num cenário atormentado, e começa a duvidar da própria sanidade.
Esse filme é a prova que não precisa de muita gente pra se fazer uma ótima ficção, já que Sam Rockwell é o único em cena por mais da metade do filme! O cenário espacial te hipnotiza, a atuação de Rockwell está perfeita (e sempre é assim quando ele faz papel de malucos). É perigoso me alongar na crítica, pois o receio de falar demais me preocupa. O roteirista/diretor te leva pra um cenários inóspitos da Lua, dentro de uma construção com uma só alma, seus devaneios e a imensa saudade que ele tem de casa. Numa jogada de mestre, o diretor te propõe situações de loucura e sanidade do personagem. A grande questão é uma visitada várias vezes na ficção científica: o que nos faz humanos. E até onde podemos aguentar a solidão. Me lembra vagamente um conto de Asimov, mas se é mesmo, foi uma coisa levemente baseada. Clint Mansell assina a trilha, dividindo os momentos mais grandiosos com música clássica, dando aquela pequena homenagem à 2001, apesar dos filmes seguirem caminhos diferentes. GERTY ganha personalidade com a voz de Spacey. E o jeito dele se expressar por emoticons na tela é algo que é tão comum para nós que usamos programas como o MSN que realmente se acredita que tem alguém do outro lado mandando essa imagens para nós. Notem também o trabalho de maquiagem do segundo personagem a habitar a estação espacial (Robin Chalk) e você vai entender e provavelmente terá a mesma dúvida que eu eu tive. O final emocionante, cheio de auto-sacrifício faz o filme encerrar com chave de ouro, sem dúvidas. Fico tentando achar falhas no roteiro para diminuir a nota, mas não consigo. Original e com um roteiro bem estruturado, merece a nota.