Arquivo para a Categoria ‘10/10’

Dunkirk | Crítica | Dunkirk, 2017, EUA

Dunkirk é um dos melhores trabalhos de Christopher Nolan, um filme de guerra onde se derrama alma e técnica.

Dunkirk (2017) Crítica

Elenco: Fionn Whitehead, Tom Glynn-Carney, Jack Lowden, Harry Styles, Aneurin Barnard, James D’Arcy, Barry Keoghan, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Mark Rylance, Tom Hardy | Roteiro e direção: Christopher Nolan (Interestelar) | Duração: 106 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaO resgate das tropas inglesas na Operação Dínamo não é o momento mais lembrado da Segunda Guerra Mundial, mas não menos digno de homenagem para Christopher Nolan, como mostra em Dunkirk. Ao escolher focar não apenas nos combates, mas no drama humano, sem dar destaque demais para algum personagem em especial, a produção é uma homenagem ao espírito de união que resgatou mais 300 mil soldados ao invés da glorificação da guerra. O roteiro dosa combates aéreos, dramas pessoais e medos por meio dos personagens que servem de arquétipos para contar aqueles dias de maneira mais direta. Com poucos diálogos e bastante ação, a produção de Nolan traz o horror que é estar tão perto e ao mesmo tão longe de casa, num inferno que parece não haver escapatória.

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Soundtrack | Crítica | Brasil, 2017

Soundtrack vai por um caminho por explorado do cinema: o da poesia filmada.

Soundtrack (2017) Crítica

Elenco: Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Lukas Loughran, Thomas Chaanhing, J.G.Franklin | Roteiro e direção: 300 ml | Duração: 112 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaExistem filmes que prezam pelo entretenimento – e não há nada de errado nisso – mas de vez em quando aparece um como Soundtrack, que te pega pela mão e te leva por um caminho diferente, querendo que você aprecie o passeio sem indicar atalhos para essa estrada. Num misto de arte e uma visão publicitária, pois os diretores atendem por uma alcunha típica da área (300 ml), essa produção brasileira se permite interagir com várias partes do mundo num cenário internacional, fazendo a produção passar os limites da regionalidade geográfica e se torna, verdadeiramente, um filme do mundo.

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Ao Cair da Noite | Crítica | It Comes at Night, 2017, EUA

Ao Cair da Noite retrata o primeiro medo que todos nós tivemos e o transforma numa assustadora história que não se prende necessariamente à rótulos de gênero.

Ao Cair da Noite (It Comes at Night) | Crítica

Elenco: Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Kelvin Harrison Jr., Riley Keough | Roteiro e direção: Trey Edward Shults (Krisha) | Duração: 91 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaO seu primeiro medo, provavelmente, foi o medo do escuro: o nada, o vazio e a incerteza te envolveram e resultaram num choro, quebrado pela luz do seu quarto com seus pais correndo para você. Já crescido, Shults transformou esse medo primal em Ao Cair da Noite, um daqueles filmes que discutiremos se tratar de um suspense – por não sabermos exatamente o resultado da trama – ou um terror – porque as situações são aterrorizantes. Ao usar elementos como a câmera que fixa em pontos apenas iluminados com a luz de lanternas, o diretor nos joga num cenário de medo e tensão num lugar tão comum como é a casa da família dos protagonistas. E não se sentir seguro no próprio lar é verdadeiramente um dos maiores terrores que podemos passar.

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Corra! | Crítica | Get Out, 2017, EUA

Corra! é um interessante filme que critica uma sociedade que ainda vê os negros como material de trabalho forçado.

Corra! (Get Out) 2017

Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Lil Rel Howery, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Stephen Root, Catherine Keener | Roteiro e direção: Jordan Peele | Duração: 103 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaConsiderando a situação e tensão que alguns casos de racismos que chamaram a atenção da mídia recentemente nos EUA, Corra! pode até ser considerado óbvio. Mas não se engane por isso, porque a necessidade de se fazer um filme com um obviedade dessas é que faz a situação ser preocupante – isso no mínimo – e até assustadora. Misturando elementos de suspense, comédia dark e até um pouco de ficção científica, Peele apresenta um retrato pessoal e intimista sobre como é ser negro hoje na nação mais poderosa do mundo. A história na tela faz isso de maneira direta e com pouca margem para interpretações, na esperança que dessa maneira a mensagem seja compreendida pela audiência.

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Paterson | Crítica | Paterson, 2016, EUA-Alemanha-França

Jim Jarmusch mostra em Paterson que até as coisas mais banais podem servir de inspiração para criar belezas.

Paterson (2016)

Elenco: Adam Driver, Golshifteh Farahani, Barry Shabaka Henley, Cliff Smith, Chasten Harmon, William Jackson Harper, Masatoshi Nagase | Roteiro e direção: Jim Jarmusch (Amantes Eternos) | Duração: 118 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaEm meio a explosões, monstros gigantes e semideuses se estapeando na tela, vale a pena nos desligarmos desse cinema de grandes proporções e ver algo intimista como Paterson. O que Jarmusch faz, por meio de seu protagonista, é mostrar que pode existir beleza até no caminho que fazemos todos os dias, traduzido aqui pela poesia. O desafio é encontrar essas belezas e entende-las, mesmo que no começo exista alguma estranheza em escrever, por exemplo, sobre uma caixa de fósforos. Para gente que escreve essa é uma produção de representação, um filme baseado na força dos diálogos e na construção dos personagens diários e ainda assim interessantes.

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Logan | Crítica | Logan, 2017, EUA

Mais que um filme de ação, Logan é o fruto do amadurecimento do gênero de super-heróis dos quadrinhos.

Logan (2017)

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Dafne Keen | Argumento: James Mangold | Roteiro: Scott Frank, James Mangold, Michael Green | Basedo em: Wolverine (Roy Thomas, Len Wein, John Romita, Sr.) | Direção: James Mangold (Wolverine: Imortal) | Duração: 135 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaLogan não é como sua fonte original, Velho Logan (Old Man Logan): é uma construção de um personagem que cresceu e amadureceu ao longo de dezessete anos. É um filme cheio de ação, dor e tristeza, mas também com uma sensação de satisfação, algo que está no cerne de um ator cuja história se mescla com o personagem. Se por um lado existem obras inspiradas em quadrinhos que vivem pela diversão – o que não é certo ou errado – a última aparição de Wolverine com essa cara que estamos acostumados é a chegada à vida adulta do gênero que o próprio protagonista ajudou a revitalizar em 2000.

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Moonlight: Sob a Luz do Luar | Crítica | Moonlight, 2016, EUA

Moonlight: Sob a Luz do Luar é tão impactante quanto socos de verdade.

Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

Elenco: Trevante Rhodes, André Holland, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Naomie Harris, Mahershala Ali | Baseado em: In Moonlight Black Boys Look Blue (Tarell Alvin McCraney) | Roteiro e direção: Barry Jenkins | Duração: 111 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaApesar da pouca violência gráfica Moonlight: Sob a Luz do Luar é um daqueles filmes que saímos o impacto das pancadas. É um retrato por meio de filme de um ciclo de violência que acomete os isolados da sociedade. Focando na questão da representatividade negra e homossexual, o diretor Barry Jenkins nos conta por momentos distintos de um jovem descobrindo a si mesmo a análise de um cenário para entendermos melhor o peso da criação quando se trata das escolhas que tomamos na vida – ou achamos que tomamos – em um ambiente quase atemporal, numa viagem melancólica, bela e triste como os tons da fotografia.

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Toni Erdmann | Crítica | Toni Erdmann, 2016, Alemanha-Áustria

Toni Erdmann é um daqueles filmes que não sabemos como apresentar, mas que mesmo assim nos conquistam.

Toni Erdmann | 2016

Elenco: Peter Simonischek, Sandra Hüller, Ingrid Bisu, Michael Wittenborn, Thomas Loibl, Trystan Pütter, Hadewych Minis, Lucy Russell, Vlad Ivanov, Victoria Cocias | Roteiro e direção: Maren Ade | Duração: 162 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaToni Erdmann é como seu personagem título: gostamos, mas não sabemos muito bem o que fazer com ele. É um desafio apresenta-lo ao grande público, aos amigos ou familiares. É um pouco contraditório se expressar assim, mas a produção de Maren Ade é estranhamente boa, diferente do que estamos acostumados; e também estranhamente familiar e divertida. As situações que os personagens passam são extrapolações das que nós passamos nas relações familiares, elementos que a diretora usa para reforçar a mensagem do filme, que podem ser descritas como absurdas – o que não quer dizer que nelas não haja algum tipo de realidade.

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La La Land: Cantando Estações | Crítica | La La Land, 2016, EUA

La La Land: Cantando Estações é como a vida – uma mistura de amor e coração partido.

La La Land: Cantando Estações (2016)

Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, Rosemarie DeWitt, J. K. Simmons | Roteiro e direção: Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição) | Duração: 128 minutos

Nota 10 - um Tigre no cinemaSão tantos sentimentos que se passam depois de uma sessão de La La Land: Cantando Estações que é difícil expressar todos. Fica até uma ponta de medo de ser injusto e deixar algo de fora. O filme pode ser apreciado como homenagem ao cinema, um drama romântico, um musical, uma comédia ou ainda tudo isso – sem perder o equilíbrio entre um gênero e outro. Os personagens nos cativam, as situações nos arrebatam e os detalhes nos fascinam, sendo impossível dissociar um elemento do outro. E esses elos formam uma corrente que nos aperta tão forte que saímos marcados dela, com vontade de sorrir e chorar nessa mistura de sonho e realidade.

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A Criada | Crítica | Ah-ga-ssi, 2016, Coreia do Sul

A Criada nos hipnotiza, seduz e prende para entendermos o que há além do drama erótico.

A Criada (2016)

Elenco: Kim Min-hee, Ha Jung-woo, Cho Jin-woong, Kim Tae-ri | Roteiro: Park Chan-wook, Chung Seo-kyung | Baseado em: Fingersmith (Sarah Waters) | Direção: Park Chan-wook (Segredos de Sangue) | Duração: 144 minutos

É cada vez mais difícil ser surpreendido e felizmente A Criada faz isso com o espectador. O drama erótico de Park Chan-wook é um daqueles filmes que quanto menos você souber antes de entrar na sala de cinema, melhor. Você é então levado junto com os personagens entre descobertas, excitações e até mesmo um pouco de risadas. Mostrando que sabe como fazer cinema, o diretor nos puxa por um caminho e, diferente de tantas outras produções, é bem mais difícil de ver as cordas enquanto somos manipulados e somos levados a acreditar nas coisas que estão na primeira camada de entendimento enquanto somos deslumbrados e atraídos pelo visual e pela carga sensual da história.

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Sete Minutos Depois da Meia Noite | Crítica | A Monster Calls, 2016, Espanha-EUA-Reino Unido

Sete Minutos Depois da Meia Noite é uma experiência dura de ser encarada e exatamente por isso que é tão importante ser vivida.

Sete Minutos Depois da Meia Noite (2016)

Elenco: Sigourney Weaver, Felicity Jones, Toby Kebbell, Lewis MacDougall, Liam Neeson | Roteiro: Patrick Ness | Baseado em: A Monster Calls (Patrick Ness) | Direção: J. A. Bayona (O Impossível) | Duração: 108 minutos

10/10 - "tem um Tigre no cinema"Como seres humanos, às vezes gostamos de pensar que somos de algum jeito especiais: o povo escolhido, a nação abençoada por Deus, os melhores do mundo. Essas são, no entanto, fugas da falibilidade da vida. Buscamos nos esconder em coisas como a arte de coisas que não há escapatória, até das mais naturais como a morte.  Sete Minutos Depois da Meia Noite coloca essa fuga em termos simbólicos, representado por um gigante que a passos largos se aproxima de você cada vez mais, algo tão grande que eventualmente não poderemos sequer desviar os olhos, numa trama profunda e melancólica que é tão forte quanto os braços do personagem que sai da terra para fazer que encaremos a nossa própria complexidade de frente.

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Capitão Fantástico | Crítica | Captain Fantastic, 2016, EUA

Capitão Fantástico (2016)

Elenco: Viggo Mortensen, Frank Langella, Kathryn Hahn, Steve Zahn, George MacKay | Roteiro e Direção: Matt Ross

Por trás de uma cortina indie Capitão Fantástico é um filme sobre dor, alegrias e o encontro de equilíbrio

10/10 - "tem um Tigre no cinema"Talvez o ar indie ou hipster das imagens de divulgação ou o trailer de Capitão Fantástico te afastem da produção. Porém, não se assuste com isso. Em primeiro lugar porque a produção foge dessas amarras de definição ao entregar uma história que vai além do belo visualmente, mas que conversa com nosso âmago. Não é apenas um filme sobre das belezas da natureza ou uma crítica às sociedades alternativas; é algo mais complexo sobre isso. Assim como outras produções já fizeram, é uma história sobre aprendizado e como o amor dos pais servem ou não para seus filhos e que existem casulos mesmo estando num lugar tão amplo e aberto quanto uma floresta.

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