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Captain America: The Winter Soldier, 2014

Com Chris Evans, Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Cobie Smulders, Frank Grillo, Emily VanCamp, Hayley Atwell, Robert Redford e Samuel L. Jackson. Roteirizado por Christopher Markus e Stephen McFeely. Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo.

9/10 - "tem um Tigre no cinema"

Parece que finalmente a Marvel/Disney está percebendo que seus fãs estão crescendo. E percebendo isso, há um amadurecimento claro na chamada Fase 2, que começou com Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) – com uma história fraca, mas com seus momentos mais adultos – passando pelo o ótimo Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, 2013) e agora com Capitão América 2: O Soldado Invernal. Uma ótima produção, que aborda temas atuais e conflita com a percepção patriótica de um personagem que veste a bandeira dos Estados Unidos. Sem perder o fôlego nas suas duas horas de projeção, este filme renova a esperança da franquia no cinema, e deixa qualquer um empolgado para a vindoura continuação de Os Vingadores (The Avengers, 2012).

Steve Rogers (Evans), o Capitão América, continua a trabalhar para a SHIELD dois anos depois da invasão de Loki em Nova York. Se adaptando à atualidade, ele tem que lidar com a decisão de Nick Fury (Jackson) e a cúpula da agência de implementar um projeto de ultravigilância. Vários fatores despertam a desconfiança do Capitão e de Natasha Romanov/Viúva Negra (Johansson), culminando num ataque à Fury pelo Soldado Invernal. Com o mentor fora de ação, o Capitão tem que escolher em quem acreditar enquanto foge tanto da SHIELD quanto de fantasmas do passado.

Os irmãos Anthony e Joe Russo – diretores – e Christopher Markus e Stephen McFeely – roteiristas – abrem uma série de paralelos e críticas nesse filme. Primeiro, há uma oposição estética e de personalidade de Steve Rogers. Na primeira cena, diurna, o Capitão faz um treino de corrida e ultrapassa várias vezes Sam Wilson (Mackie). É um momento descontraído, e que entra em choque na cena seguinte, essa noturna, onde Rogers usa um novo uniforme: todo o azul e vermelho sumiu, mantendo-se apenas no escudo de vibranium. É impossível não se lembrar da primeira fala entre o Capitão e Fury, logo nos primeiros minutos de Os Vingadores. Então, vemos um Capitão mais tático, melhor treinado e adaptado à essa noção escura do mundo, que se reflete na nova vestimenta.

Escuridão que parece cegar outros membros do alto escalão da SHIELD, presididos por Alexander Pierce (Redford), antigo amigo de Fury. No começo, os dois acreditam que o projeto Insight – três Helicarriers que podem eliminar potenciais ameaças à distância antes que possam entrar em ação – é a solução para o nosso tempo. Mais um paralelo aqui, e esse bem atual na história dos EUA, com sua Guerra ao Terror, drones e espionagem em escala global. O que não deixa também de ser o cenário Orwelliano de 1984. Até mesmo um filme com personagens de uniformes mirabolantes se dá ao luxo de perguntar se vale à pena a perda da liberdade por causa do medo.

Com essa aproximação, este é o filme mais adulto e profundo da Marvel no cinema. Isso em termos, claro. Não é nada inédito, ou que vá mudar radicalmente a sua vida, mas é importante notar que uma indústria de entretenimento que, em primeiro lugar, busca o sucesso comercial, consegue achar um meio termo entre apresentar uma discussão e ser divertido. Isso é percebido em outros momentos, como quando Fury é observado por dois policiais brancos – que veremos logo a seguir são terroristas disfarçados – enquanto dirige por Nova York, ele pergunta se os dois queriam ver os documentos dele. Outro paralelo referente à questão racial e violência. Mesmo Fury, sendo um homem da posição que é, mas negro, poderia enfrentar nos EUA problemas relacionados à cor da pele.

A produção também tem brincadeiras na medida certa. As piadas que aparecem são bem naturais – a melhor é, sem dúvida, quando Fury pergunta para o computador de bordo do carro o que está funcionando 100%, e recebe uma resposta precisa, que só é engraçada para o espectador – e vem em momentos espaçados, diferente do exagero colocado na terceira aventura de Tony Stark.

Outro ponto positivo é a distorções de alguns clichês. Ao apostar num tom mais realista, os diretores usam pouco slow motion, apenas pontualmente, inclusive num momento de reflexão do Capitão; fazem o vilão Arnim Zola (Jones) contar todo seu plano de infiltração da Hidra na SHIELD com um motivo funcional; e, vejam só, temos o Soldado Invernal falando russo. Esse último pode parecer bobagem, mas se destaca num mar de filmes onde os personagens conversam em sua língua nativa e são respondidos em inglês.

Ainda que lembre em certos momentos a estética de Os Vingadores, esse filme se solta um pouco mais. É ligeiramente mais violento, com pelo menos uma dúzia de soldados rasos sendo obliterados por hélices. Também faz uma viagem à Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011), no flashback de Rogers lembrando de Bucky (Stan), onde a fotografia volta ao tom ligeiramente sépia usado no filme de 2011.

Capitão America 2: O Soldado Invernal - poster brasileiro

Capitão América 2: O Soldado Invernal dá um passo interessante no universo Marvel e o vindouro Vingadores 2: A Era de Ultron, com um Capitão América sem SHIELD (e sem o escudo, talvez perdido) e um Homem de Ferro sem ser propriamente dito O Homem de Ferro. Existem momentos lugares-comuns – como o óbvio resultado do desaparecimento de Fury – e a estranha insistência em converter o filme em 3D – mais uma vez, dispensável – mas é uma produção competente o suficiente para agradar muitos fãs do gênero, sendo eles fãs da Marvel Comics ou não. Definitivamente, é o melhor filme desde o marco inicial da Marvel nos cinemas.

Como sempre, não saiam antes dos créditos finais. Dessa vez existem duas: uma interessantíssima, de deixar os fãs dos quadrinhos muito empolgados, e outra bem fraquinha que merecia ser invertida com a anterior.

Veja abaixo o trailer de Capitão América 2: O Soldado Invernal

 

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