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A adaptação da versão animada de A Bela e a Fera para o live action é tão deslumbrante quanto o original.

A Bela e a Fera (2017)

Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Audra McDonald, Gugu Mbatha-Raw, Ian McKellen, Emma Thompson | Roteiro: Stephen Chbosky, Evan Spiliotopoulos | Baseado em: A Bela e Fera – Disney e A Bela e Fera (Jeanne-Marie Leprince de Beaumont) | Direção: Bill Condon (A Saga Crepúsculo: Amanhecer) | Duração: 129 minutos

Percebendo que seria impossível desassociar um evento de outro, a versão com atores e atrizes de A Bela e a Fera abraça a nostalgia ao manter músicas e personagens, mas usa o tempo maior de projeção, cerca de 30 minutos a mais que o original, para expandir a história que já conhecemos. Entre se arrepiar com as músicas que fizeram o desenho de 1991 se tornar amado e algumas poucas atualizações, entre figuras e músicas, a produção marca pelo deslumbre visual, figuras de fácil identificação e temas universalmente conhecidos, a nova versão é tão boa quanto a clássica e está pronta para encontrar novos apreciadores.

Se existia algum medo de que a nova produção não fosse totalmente inspirada na versão de Gary Trousdale e Kirk Wise – já dissipada pela massiva divulgação dos trailers – é durante o prólogo que Condon conta por um narração off desnecessária, pois estamos vendo tudo que é descrito, e a primeira música cantada por Bela (Watson) – “Belle” –, com as mesmas letras de Alan Menken and Howard Ashman, que há aquela sensação de voltarmos para casa depois de algum tempo. Para não fazer uma cópia total, Chbosky e Spiliotopoulos introduzem alguns elementos que nos pareciam confusos, como a questão de ninguém saber da existência de um castelo tão perto do vilarejo.

Aliás, é o elemento do tempo que os dois roteiristas mais gostam de brincar e dar dicas. Há um personagem secundário que se queixa de esquecimento ainda na primeira música; Maurice (Kline), pai de Bela, é um relojoeiro nessa versão; os arredores do castelo da Fera (Stevens) estão num eterno inverno. Todo elemento reforça o destino do príncipe amaldiçoado e seus criados que tem no tempo um inimigo e uma parte mais sutil da narrativa. Esses são algumas dos novos componentes que servem para quem for fã da história original não se sinta entediado ou se focar constantemente nas comparações. Para um novo fã, é uma história mais sólida.

Em certos aspectos, o filme faz mais sentido que o original – e quando digo isso, levem em conta que a história conta a história de um homem magicamente transformado em um animal – seja pela ausência da mãe de Bela, Maurice se assustando verdadeiramente com os objetos falantes do castelo ou na participação dos criados na criação errônea do jovem príncipe. E antenados nesses tempos, os roteiristas brincam com algumas perguntas que se fazem na internet, como se todos os objetos no castelo teriam sido humanos antes, e a abordagem homossexual de LeFou (Gad), obcecado pro Gaston (Evans), são algumas novidades junto da versão repaginada de “Be Our Guest”.

Há, porém, um problema na construção de Gaston. Algo que era caricato no original é exagerado até mesmo para o personagem dentro da história. Para reforçar a bondade que a Fera vai adquirindo enquanto mantém Bela prisioneira – o que pode ser visto como uma contradição – Gaston cresce demasiadamente ao contrário na narrativa. Entendemos que o caçador e antigo herói de guerra é traiçoeiro – ele se gaba de atirar pelas costas em sua música –, cheio de si e até maldoso. Mas a ponto de deixar uma pessoa amarrada para ser devorada viva por lobos serve só para gostarmos mais da Fera de maneira também exagerada.

Esse é um daqueles filmes que gostaríamos de prestar atenção nos detalhes do design de produção com mais calma, pois é simplesmente um deslumbre. É tão cuidadosamente pensado na característica dos personagens transformados que vão desde a inspiração original de Lumiere (McGregor) e Cogsworth (Mckellen) aos novos personagens Madame Garderobe (McDonald) e o Maestro Cadenza (Tucci) que tem suas características emuladas em suas transformações – a soprano é um guarda-roupa que lembra grandes teatros e o regente fala por meio de suas teclas. Nesse quesito é o novo se encontrando com o clássico para, mais uma vez, aproveitar o tempo dado em tela e desenvolver melhor a história.

Ao mesmo tempo em que com esse tempo maior algumas rebarbas aparecem, como a música da Fera, “Evermore”, cantada num momento crítico da história. Por mais que esse seja um musical – e é impossível se esquecer disso – é uma parada desnecessária para a narrativa. A impressão é que, ao finalizar o roteiro, precisavam dar uma voz cantada ao personagem. A Fera já tinha sido mais bem desenvolvida na história, por exemplo, dessa vez sendo um leitor dos livros da sua biblioteca. É diferente de reforçar a característica corajosa de Bela com atitudes mais incisivas como a de rejeitar Gaston com todas as palavras (ao invés de ficar dando voltas como no desenho) ou forçar que o pai saísse do calabouço da Fera.

Sem medo de apostar na nostalgia, inclusive ao trazer Céline Dion para uma música inédita, A Bela e a Fera tem todo o ar da produção que a fez ser parte daquela quadrilogia fantástica do estúdio que aconteceu entre 1991 e 1994, também traz algumas bem-vindas novidades, representada ao deixar a canção-tema para uma nova geração nas vozes de Ariana Grande e John Legend. A produção não ousa mudar o ponto de vista como em Malévola (Maleficent, 2014, Robert Stromberg), mas pelo menos misturas audiências assim como mistura novas músicas com clássicas. É um lugar seguro, é verdade. Se a ideia de revisitar uma história já conhecida e amada com algum receio de sair desapontando, fiquem tranquilos. No mínimo, a atuação de todo o elenco principal e o incrível visual valerá a pena.

A Bela e a Fera | Trailer

A Bela e a Fera | Pôster

A Bela e a Fera | Pôster nacional

A Bela e a Fera | Galeria

A Bela e a Fera | Imagens

Créditos: Divulgação

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A Bela e a Fera | Sinopse

O filme revisita a animação de 1991 em versão live action com Bela (Watson) tomando o lugar de seu pai como prisioneira da Fera (Stevens) em seu castelo. Aos poucos, a jovem começa a perceber que pode existir um coração gentil por debaixo daquela couraça, dando esperança de que a maldição posta sobre o antigo príncipe e seus serviçais seja quebrada.

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