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Com várias inconsistências e falta de equilíbrio, Batman vs Superman: A Origem da Justiça se salva por ser um diamante em estado bruto, precisando de lapidação.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Com Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly Hunter, Gal Gadot. Roteirizado por Chris Terrio, David S. Goyer. Dirigido por Zack Snyder.

7,5 - "tem um Tigre no cinema"Para entender melhor essa produção, digamos que Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um diamante bruto: valioso, mas que merecia ser melhor lapidado. Ao mesmo tempo, é um evento que merceia todos os holofotes simplesmente por ter aquilo que os fãs conhecem como “A Trintade” na tela. E isso é enorme e, sem exageros, épico. Porém, é necessário analisar o que os responsáveis dos filmes quiseram nos mostrar entre histórias e signos, deixando de lado a memória afetiva e a expectativa, nos posicionando entre acertos e erros na aventura do Morcego de Gotham e o Semi-Deus de Metrópolis.

Snyder, Terrio e Goyer – esse último aparentemente eliminado do processo – continuam mostrando a história do Superman (Cavil) por meio dos olhos humanos. É por isso que o nome de Batman (Affleck) vem antes, por isso que os sonhos e flashbacks são do Cavaleiro das Trevas. A história, apesar de tratar de um ser que desafia a gravidade, finca nos moldes vindos desde que Nolan dirigiu Batman Begins (2005), perguntando como o mundo reagiria a esses heróis. Então não se espante de ver cenários que, de um jeito ou outro, tem um pé na nossa realidade, sendo uma das mais marcantes quando Kal-El se apresenta diante do Congresso dos EUA e podemos ver placas racistas e xenofóbicas muito similares aos da Igreja Batista de Westoboro.

Felizmente, não há problema na construção dos personagens. Clark/Superman já foi bem estabelecido no filme anterior. Para Bruce Wayne/Batman, a dupla de roteirista se vale do conhecimento em geral dos espectadores, fãs ou não, para contar pouco da história do personagem. Porém, a história da morte de seus pais é recontada, e no slow motion característico do diretor – e gostar ou não é muito pessoal, apesar de crer que faz sentido – servindo para duas coisas. Uma é distanciar levemente esse Batman da trilogia Nolan, ainda que a Mansão Wayne esteja destruída como foi no filme de 2005. A segunda é uma conjectura e pode ser um grande devaneio, mas escalar dois atores proeminentes da televisão nos papeis de Thomas (Morgan) e Martha Wayne (Cohan) mostra, assim espero, uma preocupação interessante para o futuro da DC Comics no cinema.

Lex Luthor (Eisenberg) é diferente do que os fãs dos quadrinhos estão acostumados. Ele é uma mistura da megalomaníaca versão de 1978 com a genialidade de certo personagem interpretado pelo ator em 2010. Muito mais jovem do que estamos acostumados a ver, esse Lex é rápido nas falas e cheio de maneirismos que o aproximam do antagonista do Batman, numa tentativa de reforçar a dualidade dos heróis e a velha história dos dois lados da mesma moeda. Diane Prince/Mulher Maravilha (Gadot) ainda é rodeada de mistérios, e é bom que seja assim – afinal, o filme já é longo demais – para termos o que ver no seu filme de origem em 2017. No entanto, mesmo sabendo de longe a identidade da personagem, os figurinos da amazona brincam com sua origem, principalmente o do segundo encontro com Bruce, onde ela exibe um vestido cobrindo um braço só, lembrando muito a vestimenta de gladiadores.

Os grandes problemas da história ficam na sua estrutura. Desde quando anunciado, o filme tinha uma aura que viria mais para agradar os fãs – e isso não tem nada de errado. Mas há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e a montagem do filme não ajuda a entender melhor a história. Não fique surpreso, por essa encadeação de eventos, você estar pensando na cena anterior enquanto está vendo na seguinte uma série de momentos importantes, porém tão corridos que prejudicam a atenção do espectador. De novo, são três pesos pesados disputando a sua atenção – mesmo que na maior parte do tempo fique em Metrópolis/Gotham – numa produção menos equilibrado que a aventura anterior, o que mostra uma falta de qualidade do diretor em estruturar arcos.

A fotografia de Larry Fong continua escura. O parceiro costumeiro do diretor, mas que por algum motivo ficou fora de Homem de Aço (Man of Steel, 2013), continua a mercê de Snyder, dando uma paleta de pretos, azuis escuros e dourados – infelizmente mais escuros na versão 3D – o que quebra essa sensação de realidade. A roupa do Superman está ligeiramente mais clara que na versão anterior, mas é um tanto imperceptível por causa do trabalho do fotógrafo. A realidade, por assim dizer, imposta na visão de Snyder precisava de uma ligeira quebra, principalmente para separar os dois mundos.

É interessante que, ao mesmo tempo, Snyder mostra uma evolução técnica em certos momentos, mostrando que ali há um ótimo diretor, precisando de alguém mais experiente para guia-lo em certos momentos, como fez Nolan no filme de 2013. É alucinante a cena do deserto: nela, há ação na dose certa, esteticamente é funcional – desde a fotografia até as coreografias de luta – e finaliza num ótimo plano sequência, passeando pelo cenário desolado para mostrar consequências de algo que ainda não conhecemos, para fechar com a primeira surpresa do filme –a única não arruinada pela ação de marketing que mostrou demais nos seus trailers.

Então, há qualidades. Mas há defeitos que beiram o imperdoável. O mundo está desabando – de novo, claro – e Snyder insiste nos momentos mais importunos fazer paradas que não fazem bem à narrativa. Sem entrar em muitos detalhes, Diana tem acesso à certos arquivos que comprovam a existência dos chamados meta-humanos. Cada uma das cenas que ela assiste são de uma lentidão inexplicável. Além disso é bem feio, para não falar idiota, usar os ícones dos personagens na marcação de pastas dos arquivos. Não serve para nada além de fan service dos ávidos dos quadrinhos. Mas num mundo real que Snyder tanto faz questão de alardear, não funciona.

E mais uma vez mostrando o falto de equilíbrio – a lapidação do começo do texto – há homenagens aos quadrinhos altamente orgânicas que não são apenas para os fãs ficarem caçando, mas que servem à narrativa. Temos diálogos retirados d’ O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, uma foto replicando a estreia do Superman em 1938, momentos mais obscuros evocando eventos como os de Armageddon 2001, mas que funcionam dentro da estrutura e da jornada(s) do(s) herói(s), sem prejudicar aqueles que acompanharão apenas a saga pelo cinema.

O grande pecado de Batman vs Superman: A Origem da Justiça é sua inconsistência. O peso do épico trio Batman-Mulher Maravilha-Superman pode ter sido demais para o diretor. Então, tudo precisou ser épico, nem que seja na música de Hans Zimmer e Junkie XL que de tão alta parece que saímos com os ouvidos zunindo – ainda que a que introduz Diana (a melhor parte do filme) à frente da Trintade, misturando tambores e guitarras elétricas seja espetacular. Mesmo assim, é um evento tão grandioso que não pode passar despercebido. É uma introdução em vários momentos confusa, e algo com o potencial explorado aquém do possível, com péssimo timming para piadas, mas com um cerne tão impressionante que acaba por balancear o resultado. Algo que não será perdoado se for repetido no futuro.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Pôster

Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Pôster brasileiro

Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Galeria

HENRY CAVILL as Superman, GAL GADOT as Wonder Woman and BEN AFFLECK as Batman

BEN AFFLECK as Batman and HENRY CAVILL as Superman

GAL GADOT as Wonder Woman

BEN AFFLECK as Batman and HENRY CAVILL as Superman

HENRY CAVILL as Superman and BEN AFFLECK as Batman

Sinopse oficial
Preocupado com as ações de um super-herói com poderes quase divinos e sem restrições, o formidável e implacável vigilante de Gotham City enfrenta o mais adorado salvador de Metrópolis, enquanto todos se questionam sobre o tipo de herói que o mundo realmente precisa. E com Batman e Superman em guerra um com o outro, surge uma nova ameaça, colocando a humanidade sob um risco maior do que jamais conheceu.”

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