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Com Katie Featherston, Kathryn Newton, Brady Allen, Matt Shively e Tommy Miranda. Roteirizado por Christopher Landon e Zack Estrin. Dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman.

É impressionante até onde é possível pegar uma boa ideia e espremê-la só para ver até onde vai a paciência do espectador. Outras franquias de terror fizeram isso: “Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo”, “Halloween” e “Jogos Mortais”. E a franquia que parece que vai se aproveitar disso é “Atividade Paranormal”. Na quarta parte, e sequencia direta de “Atividade Paranormal 2” (Paranormal Activity 2, 2009), eu tinha esperança que os produtores fechassem a história, dando um final digno ao original. Mas ao invés disso, nos trouxeram um filme apenas mediano, que tem momentos e sustos interessantes, mas esquecível em geral. E é triste saber que nada será resolvido tão cedo. “Toda a Atividade levará a isto…”, diz o pôster. “Isto” o que?

Com um curta recapitulação do que vimos antes na franquia, o quarto filme faz um pulo de 2006 para 2011, e tem ares de reboot, apesar de não ser, por introduz personagens novos e adolescentes ao cenário. Sim, ao invés de explicar alguma coisa, ele esticam a história que vimos no segundo filme, puxam elementos de “Atividade Paranormal 3” (Paranormal Activity 3, 2011) e assim vão enrolando o espectador e os fãs. A atualização começa pelo elenco, mostrando Alex (Newton), seu irmão pequeno Wyatt e o namorado dela, Ben (Shively). Os pais de Alex e Wyatt, Holly (Lee) e Doug (Dunhum) estão se distanciando, e o diretor trabalha bem com o conceito de mockumentary quando faz que a filha adolescente se distancie da situação por meio da câmera.  Os motivos que levam sempre a ter uma câmera filmando são discutíveis, e é o que incomoda os que não gostam da linguagem. A primeira filmagem é comum, e qualifica os personagens enquanto tentam se divertir depois de um jogo de futebol. Mais tarde, numa boa relação com a Geração Y, Ben diz que o computador grava as conversas de webcam “automaticamente”, e que ele não fica observando a namorada como um voyeur qualquer. O filme é cheio de momentos galhofas protagonizados pelos dois adolescentes, mas que representam bem o universo deles. Ben, por exemplo, não perde a chance de pedir que Alex levante a blusa para ele ver através da internet. A vida normal da família muda quando o pequeno vizinho Robbie vai morar com eles, depois que a mãe do menino é internada por algum motivo não explicado.

Ao fazer várias tomadas de baixo para cima, os diretores tentam criar um tensão, dando a impressão que tem alguma coisa de errado. E os motivos que levam Alex a vigiar a casa são válidos. E o uso da inovação tecnológica atualizam as câmeras de segurança que foram usadas no segundo episódio (além de um propaganda para o Microsoft Kinect). As filmagens se alternam entre as handycams e a webcam, e o filme tem um momento muito crível, quando Alex não leva o laptop para investigar um barulho. Diferente do filme anterior, onde comentei que seria muito ruim levar nos ombros um câmera profissional dos anos 1980 pra lá e pra cá, Alex tem o bom senso de não se deslocar com um computador na mão… ou quase. Depois que Ben pede para sempre “ir” com ela, o que é uma posição confortável, vamos ter muita vertigem. O filme conta com bons momentos de sustos, e digo que os responsáveis conseguiram construí-los  em momentos inesperados. Aquela coisa de dizer “olha, o susto vai vir de lá”, e não vem. Ponto para a produção. Mas bons sustos não fazem um bom filme.

“Atividade Paranormal 4” me chamou a atenção em apenas duas abordagens. Uma delas na cena do carro. Eu não esperava aquela situação, e a personagem age de um jeito muito verdadeiro, que é largando o laptop no chão (apesar de me impressionar ele continuar funcionando), e tentar salvar sua vida. A outra foi pela subversão que acontece na cena da banheira, que é praticamente uma perversão ao ato cristão do batismo. Posso apontar ainda uma pequena homenagem que o filme faz ao filme “O Iluminado” (The Shining, 1980). Mas o filme tem muitas falhas, principalmente quando uma personagem convenientemente esquece como exportar o arquivo de vídeo, logo em uma situação que seria a mais assustadora de todas para ela, e seria uma prova cabal para a família que tinha algo de errado.  Mas o que irrita profundamente é que o filme não explica nada, apenas nos dá mais perguntas. “Atividade Paranormal 4” vem para não acrescentar nada demais na franquia. Existe apenas um elemento novo, que causa mais dúvidas que é [SPOILER] Hunter/Wyatt ser adotado. Por que isso precisaria acontecer? Seria bem mais fácil ele ser criado por Katie [FIM DO SPOILER]. Respostas? Talvez em 2022, quando for lançado “Atividade Paranormal 9”.

Nota 1: O filme tem uma cena pós-créditos desnecessária, que só faz confirmar o meu último parágrafo.

Nota 2: Para uma experiência completa, vá sozinho o numa sessão que tenha pouca gente no cinema.

Nota 3: Se você veio aqui para saber se Atividade Parormal 4 vai ter continuação a resposta é sim!

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