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Com Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost e Simon Pegg. Roteiro de Steven Moffat, Edgar Wright (Scott Pilgrim contra o Mundo) e Joe Cornish, baseado na obra de Hergé. Dirigido por Steven Spielberg (Os Caçadores da Arca Perdida).

Para quem cresceu assistindo ou lendo Tintim, esse foi um filme muito esperado. Com as várias declarações de que Spielberg estava tratando com muito carinho o filme e que Hergé confiava somente no diretor para levar o personagem às telas, a expectativa era grande. O filme ficou em pausa por muitos anos porque Spielberg queria manter certos traços característicos desses queridos personagens, algo que não seria possível em live action. A tecnologia veio, e Spielberg reuniu um bom time, com Peter Jackson como diretor da segunda unidade, além de Wright, roteirista de  “Scott Pilgrim contra o Mundo” e Moffat, responsável pelos seriados ingleses “Sherlock” e “Doctor Who”. Além de John Williams, claro. O time nos entrega um filme divertido, com boas cenas de ação e tecnologicamente impecável. Misturando algumas histórias bem conhecidas pelos fãs, “As Aventuras de Titim” mostra um Spielberg apaixonado e numa direção muito mais competente do que seu outro filme do ano, “Cavalo de Guerra”.

As homenagens já começam na abertura do filme. Cheguei a pensar ser um resumo das história (como foi em “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma), mas o que se passa são as outras aventuras que Tintim (Bell) teve (ou terá, e que provavelmente veremos nas duas sequências que virão). Sem perder tempo contando uma história de origens, o filme já nos mostra Tintim entrando em problemas. O ritmo do filme não demora a aparecer. Por seu impulso investigativo, Tintim acaba no meio de um barco em direção à África com menos de 15 minutos decorridos. Depois de encontrar o Capitão Haddock (Serkis) o filme não para. Fugas, socos e tiros vão ser uma constante praticamente até o fim da projeção (existe uma pequena pausa). As partes mais cômicas claro que ficam com Dupond (Pegg) e Dupont (Frost), os dois detetives mais panacas da história dos quadrinhos, mas como não gostar deles? E no oposto de tudo está Sakharine (Craig) sempre com seu olhar obtuso e barba pontiaguda. Não poderia ser mais vilanesco.

Continuando por vários cenários que nos apresentam um cuidado fantástico, nos vislumbramos com o detalhes da produção. Entre eles, o movimento das areias e do mar, o físicos que acentuam os personagens (Haddock cospe quando fala, por exemplo). As transições de cena agradaram Spielberg. Como aconteceu em “Cavalo de Guerra”, ele faz transições entre cenários duas vezes, uma do mar se transformando numa poça, e outra com as areias do deserto se tornando planícies. E o deserto tem outra uma transição, dessa vez para apresentar o misto de alucinação com lembranças de Haddock. O álcool tem um efeito curioso no capitão, servindo tanto de inspiração quanto o motivo de sua amnésia.

No penúltimo ato do filme, vemos como Spielberg é mestre em cenas de ação. Com a possibilidade infinita do motion capture dispensando câmeras, dubles e cabos, o diretor fez uma das melhores cenas de perseguição do cinema de últimos tempos. Começando com uma coisa simples, e continuando com um toque acidental com cara de Indiana Jones, Tintin, Hadock e Sakharine voam, explodem coisas e brigam por um sequência de vários minutos. Spielberg dá um espaço de destaque ao flexível Milu, que sabemos bem, percebe as coisas bem antes do dono. E a parte final é digna de histórias como “Os Três Mosqueteiros”, só que em escala muito maior. Valerá muito a pena vocês verem no cinema.

“As Aventuras de Titim” é um marco mais tecnológico que propriamente falando do roteiro. Mas Spielberg tem a competência para nos deixar vidrados. A duração do filme ajuda nesse quesito (100 min). Você não se sentirá cansado e vai sair mais leve da sala de cinema. Acredito que o ponto mais positivo é a união entre as mídias dos quadrinhos com o cinema. Tintim expressa seus pensamentos em voz alta, em substituições aos balões. Já as lembranças de Haddock tomam um tom poético, ao invés de manter um sequencia típica de transição entre quadros com efeitos de fade as lembranças invadem o cenário, mostrando que o capitão está realmente vivenciando todas elas de novo, em pessoa. E John Williams refaz a parceira eterna com o diretor, compondo uma trilha mais heterogênea e mais interessante que em “Cavalo de Guerra”, que insistia em ter um tom para cada situação e personagem. Por fim, Spielberg arriscou apresentar personagens feitos, sem qualquer background na esperança de que todos nós já conhecermos esses personagens. Bem da verdade, deveríamos sim. Mas temos que lembrar que estamos falando de outra mídia, e o cinema tem que funcionar sozinho. Só para apontar, o 3D é bem competente, ajudando a história ao invés de se sobrepor à ela. Mesmo assim, não vejo perda pra se ver em 2D.

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