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O remake para o cinema de Anjos da Lei subverte totalmente a ideia original ao transformá-la em uma comédia. Leia a crítica!

Anjos da Lei

Com Jonah Hill, Channing Tatum, Brie Larson, Dave Franco, Ellie Kemper, Rob Riggle e Ice Cube. Argumento de Jonah Hill e Michael Bacall. Roteiro de Michael Bacall (Scott Pilgrim contra o Mundo). Dirigido por Phil Lord e Chris Miller (Tá Chovendo Hamburguer).

Eu não assistia a série oitentista “Anjos da Lei”, mas lembro da dose policial e dramática. Também não vi sinopse ou trailers dessa adaptação para as telas de cinema. E que grata surpresa foi ver que os responsáveis pegaram o próprio conceito saturado de remakes/reboots e brincaram com isso, subvertendo totalmente a ideia original ao transformá-la em uma comédia. E que comédia! O filme distorce vários clichês dos filmes policiais e de ação, com o fato dele mesmo ser uma “ideia reciclada dos anos 80” e com vários contrastes de não-coincidência da música com o que vemos na tela. Os diretores são competentes no uso de cores e do som e de alguns outros detalhes. É exagerado em algumas partes, com piadas no estilo “American Pie”, com balls e dicks, mas não deixa de ser divertido. Só não leve as crianças. E se você era fã da série original, venha desarmado do que te fazia gostar dela. Os elementos da série não estão no filme. Quero dizer, quase.

O filme começa com a curta introdução da parte final vida escolar de Schmidt (Hill) e Jenko (Tatum). Um é esteriótipo nerd com falta de habilidade social (e que tenta ser cool imitando o visual de Eminem), e o outro o popular atleta com cérebro de noz. Eles não aparentam se odiar, mas estão em situações totalmente opostas. A cena em que os dois estão fora da escola com seus próprios problemas mostra isso do jeito mais clássico, que é colocando os dois em partes opostas do quadro, mas com uma conclusão engraçada. O período dos dois na academia de polícia também é breve, usando conceitos clássicos de histórias como “Um Estranho Casal” (The Odd Couple, 1968), juntando-se para superar cada um a sua dificuldade: Schmidt ajuda Jenko nos testes intelectuais. E este ajuda aquele nos testes físicos. A realidade de policiais formados não é das mais interessantes para os parceiros: eles fazem parte da patrulhas de bicicleta, e lidam com infrações menores. A mudança vem com uma das muitas cenas que fazem contraste com a trilha sonora (acaba por se tornar uma marca registrada do filme) onde os dois perseguem traficantes de drogas nas bicicletas, mas a montagem faz a situação parecer bem mais intensa do que realmente é. A cena da prisão tem aquele exagero que comentei antes. Mas não precisava, porque já era engraçada, com a audiência toda rindo bastante.

Schmidt e Jenko ganham uma nova tarefa e são designados para a base policial da igreja na Rua Jump 21, para se infiltrar em uma escola e acabar com o tráfico de drogas que está funcionando lá. É só aqui que o filme tem sua relação com série original. O bom filme de comédia funciona se você tiver motivos pra rir pelo menos uma vez por cena. A sequencia dentro da igreja é uma das muitas do filme. Até quando você acha que o filme vai ter alguma coisa mais profundo e espiritual, eles conseguiram esculachar. A partir daí você pode esquecer qualquer chance de levar as coisas à sério (a cena de Scmidt conversando com o Jesus coreano…). Acontece também introdução do Capitão Dickinson (Ice Cube) e todo o resto da equipe. Tenho a impressão que Ice faz sempre o mesmo papel no cinema. E a equipe secundária? Eles vão ter sorte se alguém lembrar das falas ou feições deles no fim da projeção. Equipe mais desinteressante impossível.

A troca de papeis entre os personagens é levada ao extremo. Não bastasse eles terem que fingir que são adolescente, esquecem de seus novos nomes, provando que nenhum dos dois é exatamente brilhante. Um outro contraste da abordagem da série original: ao invés de falar mal do uso das drogas, há uma certa glamourização; não direta, como se o filme fosse a favor de uso irrestrito, mas parece que ninguém se importa com o adolescente que morreu por causa dessa nova droga sintética que o grupo está investigando. De qualquer jeito, a visão dos protagonista enquanto estão sobre o efeito lisérgico é uma das viagens mais loucas que vi na tela. O visual frenético e de vídeo-game funciona para várias audiências.

O diretor segue o filme com piadas competentes. Passamos por cenas de brigas realistas (o estilo “câmera na mão” reforça a confusão real da situação), perseguições que fogem do padrão (por exemplo, como em grandes cidades nunca acontecem engarrafamentos? Ou porque são sempre carros esportes que estão disponíveis?). Também tem outros cuidados, visualmente falando. Schmidt e Jenko costumam se vestir em tons de vermelho e azul: além de uma dose de patriotismo, também lembram as sirenes de viaturas. Isso só muda quando eles se envolvem demais na própria história, com Schmidt literalmente se fantasiando. Já o desfecho do filme traz grandes surpresas (se você já viu, não espalhe!), passando por mais tiros, explosões, risadas e até referências à Robocop.

Mas nem tudo são flores. Alguns pontos abaixam a nota do filme. Além do já citado exagero nas piadas do membro masculino, o fraquíssimo elenco de apoio deixa para Hill e Tantum (em bem menor escola) a tarefa de levar o filme nas costas. E falei tanto da trilha sonora, que marca o contraste com várias cenas, mas ela é tão comum e genérica que não marca e não me faz ter vontade de ouvi-la separadamente em algum momento. O próprio roteiro tem seus altos e baixos: ele é muito bom até a metade, caiu muito e melhora perto do fim, faltando mais conflito. Ainda assim, é um filme engraçado como há algum tempo não assistia, e esses pontos negativos que citei não devem estragar a sua diversão.

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