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Black Mass, 2015

Com Johnny Depp, Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson, Kevin Bacon, Peter Sarsgaard e Jesse Plemons. Roteirizado por Mark Mallouk e Jez Butterworth, baseado no livro de Dick Lehr e Gerard O’Neill. Dirigido por Scott Cooper (Coração Louco).

8/10 - "tem um Tigre no cinema"O clima de Aliança do Crime já foi visitado antes. Você perceberá em alguns momentos inspirações – até mesmo homenagens – de filmes de gangster da década retrasada e além. Isso não quer dizer, porém, que o filme não tenha seu próprio brilho. A biografia de um personagem inteligente e desconhecido pelo público brasileiro tem um Johnny Depp fugindo daqueles personagens extremamente caricatos, uma persona raramente encarnada por ele recentemente. O ator ainda trabalha por baixo de muita maquiagem, é verdade, mas está longe de ser limitado por ela. Scoot Cooper mostra o lado sujo e a podridão dos poderes estabelecidos numa narrativa muitas vezes tensa e ameaçadora, onde não sabemos de onde vem o tiro.

Cooper não esconde seu gosto pelo cinema de Scorsese – Os Bons Companheiros em especial – no início de sua narrativa. É automático nos lembrarmos como a narração daquela história influencia essa enquanto ouvimos o ponto de vista do ex-funcionário de James “Whitey” Bulger (Depp). O glamour, a escalada de baixo, o clima de homem de família que o gangster tem na antiga vizinhança e os laços de amizade desenvolvidos ao longo dos anos e até mesmo o visual de John Connolly (Edgerton) irão trazer lembranças. Porém esses são elementos comuns em tantas outras histórias, então seria injusto dizer que é uma cópia descarada.

Assim como o personagem Kevin Weeks (Plemons) vai escalando na gangue, a história escala na ascensão de Whitey. É uma opção interessante, pois estamos no ponto de vista desse criminoso secundário. Então sabemos muito rapidamente da passagem de Whitey por Alcatraz e isso acelera a narrativa para irmos logo ao ponto que interessa. Outro elemento eficaz na construção da mudança de personalidade do personagem é a fotografia de Masanobu Takayanagi que por nuances esticando-se durante as quase duas horas de filme mostram o personagem cada vez mais cercados por sombras, ao ponto de no terceiro ato Whitey praticamente atua fora da luz, interagindo muito pouco com o lado de fora.

Nesses atos de maldade, que crescem aos poucos, vem aquela sensação ameaçadora de não saber de onde vem o tiro – mostrando uma atuação monstruosa de Depp, a melhor em anos. Há pelo menos dois momentos marcantes em que o ator fica nesse limiar de nos deixar na ponta da cadeira. A primeira é quando Whitey está na casa de Connolly e faz uma visita à esposa do agente, Marianne (Nicholson). A outra é quando ele tem que resolver uma questão com a amante de um de seus comandados. São cenas intensas, incômodas e parecem durar uma eternidade. E mostram um personagem que você com certeza não gostaria de ter como inimigo.

O filme é cheio de simbolismos que podem ficar ali no inconsciente, mas vale a pena serem mencionados. Para mostrar a aliança entre o FBI, o Governo e o Crime, Cooper cria uma cena que é o estudo de caso dessa situação quase fantasiosa; demais para ser verdade. É natal – uma comemoração, à princípio, cristã – e estão sentados na mesa Connolly (representando a agência), o irmão de Whitey, o Senador Billy Bulger (Cumberbatch) e o próprio gangster: três personagens em oposição aos três reis magos num colóquio longe de querer louvar o bem, estando lá apenas em benefício próprio. Mais à frente da narrativa, na queda moral ainda maior de Whitey, o gangster começa a assassinar os traidores – ou possíveis – enforcados, lembrando outra figura bíblica, a de Judas Iscariotis. Não é de estranhar esses paralelos com a religião. Do seu próprio jeito, Cooper pinta Whitey como o oposto de um ideal de bondade e nisso ele se sai extremamente bem.

Aliança do Crime | Pôster Brasil

Mesmo que não seja uma abordagem original Aliança do Crime é eficaz, mantém o ritmo na maior parte do tempo e mostra uma direção consistente de Scoot Cooper em seu terceiro filme. É difícil achar motivos para desgostar do filme, a não ser pelo fato de Depp brilhar tanto que ofusca as outras participações; inclusive a de Cumberbatch. O que não é exatamente um problema, mas o diretor se concentrou tanto na construção de Whitey que o restante ficou para trás. Essa falta de equilíbrio é quase despercebida pois, ainda assim, há momentos em que os outros se destacam. Por exemplo, quando Connoly ouve uma gravação e ele começa a dançar como se ouvisse música. E claro, a performance do protagonista é tão grande que há o perigo de dizerem que esse será a redescoberta do ator em detrimento a todo resto. Porém, Depp merece todos esses elogios e mais.

Sinopse oficial

Na região sul de Boston nos anos 1970, o agente do FBI John Connolly (Edgerton) convence o mafioso irlandês James “Whitey” Bulger (Depp) a colaborar com o FBI e eliminar um inimigo comum: a máfia italiana. O drama conta a história verdadeira desta aliança inusitada, que saiu do controle, permitindo que Whitey descumprisse leis impunemente, consolidasse seu poder e se tornasse um dos gângsteres mais cruéis e poderosos da história de Boston”.

Veja o trailer de Aliança do Crime

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