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A Lei da Noite é uma homenagem aos clássicos filmes de gangsteres, mas que pouco adiciona ao gênero.

Lei da Noite-FB

Elenco: Ben Affleck, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper | Roteiro: Ben Affleck | Baseado em: Live by Night (Dennis Lehane) | Direção: Ben Affleck (Argo) | Duração: 129 minutos

Chegando um pouco antes da metade da projeção de A Lei da Noite, uma pergunta acaba aparecendo: por que vale a pena contar essa história? Isso não quer dizer que o roteiro é ruim ou a direção de Ben Affleck seja fraca. O que acontece é que a história costura temas já vistos em outras produções, tornando o filme uma homenagem ao gênero de gangsteres com pouco de novo a dizer. Com atuações excelentes e uma direção de artes fenomenal, o filme nos perde pela frágil motivação inicial do protagonista e uma tendência controladora com Affleck sendo o mandachuva de tudo – dentro e fora do filme.

Já virou lugar-comum personagens serem tons de cinza como é Joe Coughlin (Affleck), um homem que resolveu se tornar um fora-da-lei por causa dos horrores que passou na Primeira Guerra Mundial. Não é um motivo muito crível, considerando ainda que ele é filho de um inspetor de polícia. A questão é que o roteiro, também de autoria de Affleck, toca em assuntos sociopolíticos para se justificar, mas essa abordagem tem pouco peso na decisão de Joe em fazer pequenos assaltos. Seria bem mais fácil acreditar no discurso do protagonista se a volta para casa numa economia quebrada o empurrasse para essa vida.

Mas Affleck nos guia, ou pelo menos tenta, na vida de Joe com várias narrações off. Além de ser um recurso mal usado, ele o usa para apresentar até obviedades como Joe e Emma (Miller) serem amantes – uma relação que já estava claríssima já no primeiro assalto que vemos na tela. Durante a história ouvimos outras narrações de detalhes de como alguns detalhes da vida criminosa de Joe na Flórida acontece, mas eventualmente cansa ouvir tanto a voz de Affleck explicando cada virada de página do roteiro. Esse não parece o diretor de Argo (2014) ou Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007) que mostrava mais que falava e conseguia criar tensão apenas com a câmera na mão.

De fato, o que mais chama a atenção é a direção de arte. Os figurinos e a reconstrução do período da Lei Seca entre dois estados diferentes, em conjunto com a fotografia de Robert Richardson são aqueles pontos que servirão de defesa da existência do filme. Visitar as ruas, bares e clubes de Nova York ou ver como o estado da Flórida e a cidade de Tampa eram no começo do século passado é uma aula para qualquer um que se atreva a fazer um filme de época. O figurino não é apenas bem produzido, mas consegue passar a ideia da personalidade de Joe – principalmente na tensa cena que ele veste cores claras, mas cercados por figuras vestidas de preto.

A história é sobre a jornada de mudança de um personagem, o quão cruel um homem bom pode ser, como diz Graciela (Saldana). Mesmo que termo “bom” não se aplique propriamente a Joe, podemos dizer que ele é o equilíbrio dentro do caos: ele é corajoso ao peitar de frente o líder da máfia italiana, mas se deixa trair por uma paixão; seus limites morais o impedem de matar, mas não parece se importar quando outros puxam o gatilho. O Joe do começo é diferente do que vemos no fim, mas não ele não é um personagem que criamos empatia a ponto de sofrer pelas suas escolhas.

E acabamos fazendo conexões e comparações com outras produções. Algumas são evidentes, como o filho do mafioso italiano ser uma versão menos talentosa do personagem de Joe Pesci em Cassino (Casino, 1995, Martin Scorsese) – até o jeito de falar lembra o personagem de Scorsese – e outras entram na área do clichê com perseguições de carros, tiros, batidas e os problemas com a polícia. Então esse ar de homenagem acaba por sobrepor a trama em si, sobrando pouco para apreciar. Essa parte fica na sub-trama da jovem Loretta Figgis (Fanning), encarnado a esperança daquela cidade que é tirada de maneira brutal pela grande dúvida que é a vida.

É normal que na carreira existam trabalhos mais burocráticos, filmes produzidos entre um momento ou outro que precisam de nomes de peso porque os estúdios acreditam nele. E parece ser o caso de A Lei da Noite – curioso que, apesar do nome, só há duas cenas noturnas – com seu elenco cheio de nomes conhecidos, ainda que alguns personagens mal desenvolvidos não os merecessem. Há defeitos no desenvolvimento que seguem até o desfecho, onde Affleck faz vários finais, claramente perdido em como concluir sua história, o que é o resumo de uma produção preocupada demais com a estética e menos com seus personagens.

A Lei da Noite | Trailer

A Lei da Noite | Pôster

A Lei da Noite | Galeria

A Lei da Noite | Imagens

Créditos: Divulgação

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A Lei da Noite | Sinopse

Depois de não acreditar mais no sistema de leis que beneficiam os poderosos, Joe Coughlin (Affleck) volta da Primeira Guerra mundial como um fora-da-lei, mesmo que seu pai seja da força policial de Boston. À sombra da sociedade, Joe logo sobe na carreira de contrabandista de bebidas ilegais, mesmo que ele não seja uma pessoa má. E por trás de suas ações, existe um desejo de vingança que ele pretende ter não importando o preço.

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