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Além de ser um ótimo filme, A Guerra dos Sexos levanta uma bandeira e por isso ganha mais importância.

A Guerra dos Sexos | Review

Elenco: Emma Stone, Steve Carell, Sarah Silverman, Bill Pullman, Alan Cumming, Elisabeth Shue, Austin Stowell, Eric Christian Olsen | Roteiro: Simon Beaufoy | Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine)

Estamos numa época que algumas produções afirmam o óbvio. Se fosse uma passeata como a marcha para a ciência, Guerra dos Sexos levantaria uma placa dizendo não acreditar que em 2017 ainda é preciso pedir igualdade de gêneros e pelos direitos dos LGTBQI (desculpem se me engano no acrônimo). O filme de Jonathan Dayton e Valerie Faris pode ser visto importando mais pela sua mensagem do que o jeito que é feito, mas isso não impede a dupla de trazer um filme com momentos empolgantes, doces e divertidos enquanto escancarara uma faceta que nos parece muito comum, mesmo passadas quatro décadas.

A produção poderia ser usada como cartilha, inclusive, pois Billie Jean King (Stone) representa a maioria dos pesos impostos às mulheres – ainda que a personagem verdadeira não tenha passado exatamente por tudo isso. Ela vive num mundo que desrespeita sua capacidade com desculpas biológicas num mundo dominado por homens velhos, por piadistas e pelo conservadorismo vindo de todos os lados. Então, apesar do ritmo acelerado e muitas vezes divertido da trama, é interessante notar como Faris e Dayton isolam Billie Jean nos seus momentos mais desafiadores, seja antes de um grande jogo ou na questão dela se descobrir lésbica e não poder expressar essa sua parte.

E para não cair na mesma armadilha que tantos filmes e outras mídias fazem ao representar as mulheres, diretora e diretor não permitem que Bobby Rigs (Carell) seja representado bidimensionalmente: sim, ele é um escroto sexista, mas isso serve como uma imagem do personagem, algo que não representa como ele é em casa, onde é praticamente submisso à esposa Priscila (Shue) e um pai amoroso. O que acontece é que é tudo um jogo de como a publicidade aprisiona os personagens. É óbvio que é mais fácil para Bobby manter as aparências, pois a sociedade não vai cobrá-lo, do que para Billie Jean com seus conflitos internos e externos – se provar com uma grande tenista e poder sair do armário – mas é interessante seguir esses antagonistas.

À primeira vista, poderíamos nos apressar em dizer que essa é uma história simples; porém, ela é somente na superfície. A produção tem mais importância pela causa, pela bandeira que carrega, sendo inclusive uma manifestação político-social. Mas Faris e Dayton usam também de belos simbolismos para isso, como a mis-en-scene do covil sombrio e sério de Jack Kramer (Pullman) quando ele nega um prêmio igualitário para o torneio feminino de tênis, as discussões similares nos banheiros masculino e feminino – o que levanta a questão de que se existe mesmo uma separação entre universos dos gêneros. Há também momentos doces para apreciarmos como o mesmo batom (um símbolo de desejo) que Bille Jean e Marilyn (Riseborough) compartilham e um pouco antes, quando a cabeleira corta a franja da tenista, clareando sua visão.

Também temos que congratular Faris e Dayton nas questões técnicas da produção que nos colocam nos anos 1960 seja por meio da fotografia com seus tons amarelos e marrons assim como o grão – algo que tem feito tanta falta no digital – ou detalhes como não esconder que um dos patrocinadores da Liga Feminina foi uma conhecida empresa de cigarros. E tanto para quem não conhece a história como aos que estão familiarizados com ela, a reconstrução dos jogos é fidedigna, além de nos colocar dentro da quadra por meio de sons de saques, batidas e de bolas e das respirações típicas dos jogadores – o que torna o filme atrativo por vários motivos.

Se há algo simples na construção do roteiro é que já vimos alguma coisa assim antes. O jeito de Billie e Bobby treinarem e o modo que isso é representado em tela lembra muito o jeito que Rocky e Apollo faziam em Rocky: Um Lutador (Rocky, 1976, John G. Avildsen) – enquanto estava tão confiante à ponto de fazer piadas com seus treinos – jogando com animais, usando panelas – a outra estava dando sua vida nos treinos, pois ela sabia que era uma oportunidade única. E assim como o filme de 1976, esse é um drama extremamente humano, então Faris e Dayton conseguem fazer que nos importemos com Billie Jean nas suas dores físicas e emocionais, enquanto acompanhamos sua evolução.

E apesar da história por baixo do ritmo contagiante, há um quê de simplicidade em Guerra dos Sexos: o que se pede, já há muito tempo e a sociedade sexista finge que não quer ouvir, é que as mulheres não sejam subestimadas; e, claro, pedem igualdade. E isso não se resume apenas ao fato de Billie Jean ser mulher. Há um personagem que em determinado momento do filme diz à protagonista “Um dia, seremos livres para ser quem somos…mas hoje, dançamos“. Então há também uma tristeza implícita na morosidade das mudanças. Por enquanto, a produção celebra a figura de Billie Jean e sua importância, celebrando um passo dado. Amanhã é hora do próximo.

A Guerra dos Sexos | Trailer

A Guerra dos Sexos | Pôster

A Guerra dos Sexos | Pôster nacional

A Guerra dos Sexos | Galeria

A Guerra dos Sexos | Imagens (1)

Créditos: Fox Film

A Guerra dos Sexos | Imagens (2)

Créditos: Fox Film

A Guerra dos Sexos | Imagens (4)

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A Guerra dos Sexos | Imagens (4)

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A Guerra dos Sexos | Imagens (9)

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A Guerra dos Sexos | Sinopse

O filme dramatiza o caminho até o confronto entre a tenista Billie Jean King e Booby Rigs e também abre a discussão da descoberta da sexualidade da tenista e um grito pelo igualdade de gêneros e direitos das minorias.

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