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Remake do uruguaio de mesmo nome, A Casa Silenciosa sofre pelas má atuações e situações nada críveis.

A Casa Silenciosa

Com Elizabeth Olsen, Adam Trese, Eric Sheffer Stevens e Julia Taylor Ross. Roteirizado por Laura Lau, baseado no roteiro de Oscar Estevez. Dirigido por Chris Kentis e Laura Lau (Mar Aberto).

“Baseado em fatos reais” e remake de um filme uruguaio (“La Casa Muda“, 2010) ,”A Casa Silenciosa” é um produzido em plano sequencia e em tempo real (ou assim deveria ser). Também é um filme vendido ao estilo horror, e usa constantemente o recurso de câmera na mão para aumentar o realismo, aproximando dos estilos mockumentaries, apesar de não ser. E existe uma certa subversão no roteiro que deve agradar os apreciadores do estilo. Infelizmente, a experiência ao visitar essa casa foi um tanto decepcionante. Com um roteiro preguiçoso, atuações péssimas dos envolvidos e símbolos falhos, “A Casa Silenciosa” deve ficar só no esquecimento.

O diretor usa de um aspect ratio um pouco maior que o standard, para criar uma sensação claustrofóbica que é uma constante, porque o filme passa na maior parte do seu tempo dentro de uma casa fechada e sem iluminação natura, já que todas as janelas estão seladas. É um bom trunfo da produção, e uma das poucas coisas interessantes no filme. Sarah (Olsen), seu pai John (Trese) e seu tio John (Stevens) estão reformando a casa onde ela cresceu para ser vendida. Kentis e Lau criam no começo uma boa tensão: a cena inicial filmando de cima para baixo num plongé dando a ideia de alguma presença metafísica; a ausência da trilha sonora enquanto os personagens estão dentro da casa, apenas com um suave música do lado de fora; os detalhes das paredes da casa, indicando que tem alguma coisa de errado (papeis de paredes florais, mas podres por dentro); e a “aparição” de Sophia (Ross), que enriquecem os elementos estabelecidos na narrativa filme. Ainda aponto o design de som, que faz casa ter barulhos reais de um lugar velho e abandonado. E envoltos em escuridão, os sons conseguem aumentar a tensão junto do mistério principal, que é a dúvida se existe uma presença ou algum tipo de invasor na casa. Por ser um filme curto, os diretores se sai bem ao estabelecer todos esses elementos nos primeiros quinze minutos de projeção. Isso tudo só para pouco depois mostrarem sua insegurança. Isso fica bem claro quando ele insiste em usar uma trilha sonora dentro da casa para criar um clima soturno. Ma o silencio era bem mais convincente para os sustos.

O ponto mais fraco do filme são as atuações. Você não acredita em nenhum momento nas reações de Sarah ou dos seus parentes. E como seguimos Sarah sozinha por praticamente meia hora de filme, somos obrigados a acompanhar uma personagem desinteressante. Além disso a decisão dos diretores em usar o estilo câmera na mão para aumentar a sensação de realismo não se encaixa. Se usado em um momento ou outro é interessante pela quebra do estilo tradicional de se filmar. Quando é usada constantemente é aceitável num estilo mockumentary. Mas “A Casa Silênciosa” se perde em estilos, querendo ser um filme de suspense “tradicional” mas fazendo vezes do estilo tão saturado de “Bruxa de Blair”. Mas não é, o que torna o filme extremamente irritante com tantos trancos e chacoalhadas.  E o filme peca por outros aspectos técnicos. O primeiro e mais notório é o tempo. A proposta do plano sequencia nessa produção é mostrar os eventos em tempo real. “Festim Diabólico” (Rope, 1948) é um bom exemplo de um filme que usa o método. Mas é de se estranhar que a desventura de Sarah, que dura cerca de 90 minutos, mostra um ambiente que não corresponde a esse tempo. O filme começa no meio para o fim da tarde. Seriam, no máximo, 17h30. Mas no fim do filme já está uma escuridão profunda, sendo, pelo menos 20h. Além disso, a fotografia de Igor Martinovic tem grandes problemas por não ter “tempo” de se adequar do escuro para o claro das lanternas.

Não posso dizer que o filme não tem qualidades. Mas existem outros filmes infinitamente superiores. “Casa Silenciosa” tem clima survival horror, no estilo dos jogos Resident Evil, com portas fechadas que devem ser abertas depois, e admito que o diretor consegue nos enganar algumas vezes, principalmente pela subversão do assunto, onde o filme é vendido como se fosse horror/slasher, mas fala da questão humana. No entanto, já vimos tanta coisa assim que o filme não tem nada demais para destacá-lo entre os demais. Sem sustos críveis, usa de símbolos bem idiotas (uma privada sangrando? ah, por favor senhores..) e a péssima atuação dos envolvidos são algumas das muitas falhas do filme, que não é nada mais que mediano para baixo. E o resultado me faz não querer visitar a história original.

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