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Uma crítica curta para 2 Coelhos, de Afonso Poyart.

Com Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Roberto Marchese e Thaíde. Roteiro de Afonso Poyart e Izaías Almada. Dirigido por Afonso Poyart.

Relembrando, “Críticas Curtas” (#CC), é a sessão que posto pequenos comentários de filmes que vi, e que não estão mais nos cinemas. “2 Coelhos” foi um filme que sofreu até na própria casa, por ser um filme de ação. O cinema nacional não tem essa tradição, e quem assistia ao trailer via uma colcha de retalhos de outros filmes de Hollywood (Sucker Punch e Wanted, por exemplo). Mas essas decisões visuais do diretor e roteirista Afonso Poyart não estragam a experiência; pelo contrário, só a melhoram. Junte esse visual (mesmo não sendo “original”) ao roteiro e às atuações e temos o melhor representante de filmes de ação do cinema brasileiro.

Ao assistir “2 Coelhos”, você vai ter a sensação de que o diretor faz de tudo um pouco dentro do cinema de ação. Mas essa sensação vai passar logo, porque é fácil entrar no ambiente e na cabeça de Edgar (Alves Pinto), que passa por uma fase mista de indignação e crise.  Ao viver uma tragédia que é mostrada logo no começo, mas que só é explicada mais para a metade do filme, ele arma um plano mirabolante para matar “dois coelhos com um caixa d’agua só”. Quase todos as sequências são narradas em off por Edgar, mas funciona incrivelmente bem. Esse plano envolve vários personagens de personalidades distintas, mas que são costurados muito bem. A narrativa não-linear apresenta os elementos da trama, respondendo perguntas aos poucos. Julia (Negrini) é casada com Henrique (Villa Lobos) e os dois são funcionários da promotoria pública. Corruptos, usam a influência deles para livrar a cara de Maicom (Descartes), um bandido perigoso e violento. Mas o esquema pode estar perdido, e então chamam o deputado Jader (Marchese), outro corrupto, que pode mudar o jogo por causa de seus poderes políticos. Isso por um preço. O plano de Edgar é acabar com esse esquema, por um senso de justiça própria, ao mesmo tempo que tenta se redimir pelo que fez com Walter (Ciocler).

“2 Coelhos” é tão rápido e frenético que pode dar a impressão de que o diretor queria jogar várias coisas para o espectador não conseguir raciocinar, só que não é o caso. Dotado de uma estrutura fantástica (digo isso por se passar num mundo quase de fantasia), o filme pega a vontade de justiça e redenção do cidadão-comum, e nos transporta para entro da tela. Edgar não é um herói, e sim um personagem falho e cheio de vícios (bem representados pelo começo do filme), o que faz ser tão humano quanto todos nós. É um filme que você não deve perder, e é o melhor do primeiro semestre desse ano.

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