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007 – Operação Skyfall é tanto uma homenagem ao agente secreto mais conhecido do mundo quanto para aqueles que não estão familiarizados com ele.

007 - Operação Skyfall

Com  Daniel Craig, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Albert Finney, Ben Whishaw e Judi Dench. Roteizado por John Logan (A Invenção de Hugo Cabret), Neal Purvis e Robert Wade (Cassino Royale). Dirigido por Sam Mendes (Beleza Americana).

O que você faz quando o passado volta para te assombrar? Pode não parecer, mas esse é uma questão fundamental em “007 – Operação Skyfall”, que é um filme muito coerente. Tanto o roteiro como a direção e a fotografia fazem um grande bem ao resultado final. Também conta com grandes momentos de ação, como não deixaria de ser, grandes atuações e, diferente do anterior, funciona quase sozinho. Ou seja, você pode ter um conhecimento básico do personagem. Por isso, ele é um filme acessível ao grande público que quer ver um bom filme, pura e simplesmente. No entanto, ele recheado de referências ao universo 007, e os fãs vão ficar gratos com as homenagens que aparecem nesta sequência que é tão boa quanto “Cassino Royale” (Casino Royale, 2006).

Sem necessidades de apresentações, James Bond (Craig) já tem que correr pelos telhados de Istambul atrás de dados vitais para a MI6. Com a ajuda de Eve (Harris), uma agente claramente inexperiente e imprevisível, que atira praticamente sem se importar com os civis em volta, ele consegue chegar até o agente inimigo numa incrível perseguição nada usual em um trem. Sam Mendes trata a sequência com muito cuidado, e ainda consegue tirar de Bond seu carisma e finesse típica quando ele vai de maneira incomum de um vagão ao outro. Na perseguição o diretor de fotografia Roger Deakins, que trabalhou em “Onde os Fracos não tem Vez” (No Country for Old Men, 2007), mostra sua competência alternando os cenários claros e escuros sem deixar que percamos informações, algo essencial em filmes de ação. E durante a briga, Eve mostra sua inexperiência ao alvejar Bond, que cai para uma morte quase certa. É a primeira vez que o agente 007 é baleado em todos os seus 50 anos de filmografia. A introdução acaba com um belo raccord entre a chuva que cai em Londres, representando a tristeza de M (Dench) que deu a ordem para que Eve atirasse, e a correnteza que leva Bond para as profundezas para começar o tradicional clipe com a música de Adele que dá o clima ao filme, com imagens de cruzes, cemitérios, facas e as silhuetas femininas já típicas de filmes de James Bond.

Contar demais seria estragar a surpresa, por isso vou me ater ao que vocês já viram no primeiro trailer. M está enfrentando problemas que se sucederam com a perda dos dados que Bond estava tentando reaver. Mendes reforça o clima triste que a chefe não admite sentir com alguns detalhes bem construídos, como a imagem uma garrafa quase vazia na mesa enquanto M escreve o obituário do agente 007, e o fato está sempre chovendo em Londres. E quando Gareth Mallory (Fiennes) aparece para questionar a direção de M no MI6, Bond volta dos mortos, obviamente, para ajudar a caçar fantasmas do passado. Mas passado de quem? Isso só assistindo. Enquanto Bond estava sumido e brincando com a morte (tomando cervejas ruins como Heineken e brincando com escorpiões), ele perde seu jeito com armas e até o vigor físico. Mas não deixa de ser durão, como em uma certa cena que envolve uma faca e uma bala. Mendes reforça o sentimento de inferioridade momentânea de 007 quando nos apresenta o chefe da divisão de pesquisa e desenvolvimento do MI6, Q (Whishaw). Apesar de Bond mostrar sua usual força numa das discussões mais engraçadas do filme, o diretor coloca Q, ao final da conversa entre os dois, nitidamente acima de Bond, ao filmar o jovem quartermaster de baixo para cima. Ali, Bond ainda não era O James Bond. Passando por usuais desafios, inclusive superando seus próprios limites, lutas bem coreografadas, 007 encontra uma outra belíssima Bondgirl, Sévérine (Marlohe), para depois conhecermos o grande antagonista do filme, Raoul Silva (Bardem), introduzido num plano sequência que começa amplo para depois fechar em seu rosto, mostrando o tamanho do ego do inimigo, acompanhando seu visual nada ortodoxo.

“007 – Operação Skyfall” traz um Sam Mendes bem tradicional em certos momentos, filmando os planos diversas vezes no centro da tela. Também conta com momentos divertidos, mostrando a (pouca) versatilidade de Craig em se expressar, e com passagens musicais de Thomas Newman, que trabalhou em “Os Agentes do Destino” (The Adjustment Bureau, 2010), que consegue aumentar o clima de tensão nos momentos certos da projeção. Apesar de sentirmos a dificuldade dos responsáveis em criarmos ligações com certos personagens, e não conseguindo a  ligação dramática necessária com pelo menos um personagem (que quando morre não sentimos falta), Mendes entrega um filme tecnicamente impressionante e mais grandioso que os anteriores, com mais planos e locações abertas, explosões e situações impossíveis. É um filme para se assistir mesmo não sendo fã ou grande conhecedor da franquia. O filme não cita eventos anteriores dos filmes protagonizados por Craig, a não ser por partes bem sutis que são mostradas, e não faladas, sobre a organização Quantum, apresentada no filme anterior. E para os fãs, é um belo presente de 50 anos, com homenagens e com a certeza que Craig se firmará no papel apresentando um dos melhores Bonds que a série já teve.

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Nota: “Operação Skyfall” não foi uma boa sacada no nome nacional do filme. Assista para entender.

[EDIT] O fã Claudio Rodrigues apontou que sim,  Bond tinha sido baleado antes. Em “007 contra a chantagem atômica” (Thunderball, de 1965). [/EDIT]

“Operação Skyfall” ganhou o Oscar 2013 nas categorias Melhor Canção Original (“Skyfall“, de Adele e Paul Epworth) e Melhor Edição de Som (Per Hallberg e Karen Baker Landers). E foi indicado para Melhor Mixagem de Som (Scott Millan, Greg P. Russell e Stuart Wilson) e Melhor Fotografia (Roger Deakins).

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